quinta-feira, 19 de julho de 2012

“Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei E nada sei”

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Almir Sater

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os teus pés

Larissa Morais-1

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouo levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda

Imagem de Larissa Morais

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos

ANDREI BELICHENKO

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos

e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo

doeu-me onde antes os teus dedos foram aves

de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha

camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração

que era o resto da vida - como um peixe respira

na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti

é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara

um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo

um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,

mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota

as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Maria do Rosário Pedreira

Imagem de ANDREI BELICHENKO

o tempo, subitamente solto

Julia Agustina Torquati

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,

como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,

mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.

eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,

que eu amava quando imaginava que amava. era a tua

a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.

era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores

e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.

muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

José Luís Peixoto

Imagem de Julia Agustina Torquati

O corpo não espera

Renzo Verdone-3

O corpo não espera. Não. Por nós

ou pelo amor. Este pousar de mãos,

tão reticente e que interroga a sós

a tépida secura acetinada,

a que palpita por adivinhada

em solitários movimentos vãos;

este pousar em que não estamos nós,

mas uma sede, uma memória, tudo

o que sabemos de tocar desnudo

o corpo que não espera; este pousar

que não conhece, nada vê, nem nada

ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,

quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge de Sena

Imagem de Renzo Verdone

Um beijo em lábios é que se demora

Marci Mcdonald-1

Um beijo em lábios é que se demora

e tremem no abrir-se a dentes línguas

tão penetrantes quanto línguas podem.

Mais beijo é mais. É boca aberta hiante

para de encher-se ao que se mova nela.

É dentes se apertando delicados.

É língua que na boca se agitando

irá de um corpo inteiro descobrir o gosto

e sobretudo o que se oculta em sombras

e nos recantos em cabelos vive.

É beijo tudo o que de lábios seja

quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena

Imagem de Marci Mcdonald

Conheço o sal da tua pele seca

Juan Medina

Conheço o sal da tua pele seca

depois que o estio se volveu inverno

da carne repousando em suor nocturno.

Conheço o sal do leite que bebemos

quando das bocas se estreitavam lábios

e o coração no sexo palpitava.

Conheço o sal dos teus cabelos negros

ou louros ou cinzentos que se enrolam

neste dormir de brilhos azulados.

Conheço o sal que resta em minha mãos

como nas praias o perfume fica

quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca, o sal

da tua língua, o sal de teus mamilos,

e o da cintura se encurvando de ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,

ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,

um cristalino pó de amantes enlaçados.

Jorge de Sena

Imagem de Juan Medina

Como eu te amo

Dimitar Voinov Junior -6

Como eu te amo

Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,

O orvalho numa flor, nos céus a estrela,

No largo mar a sombra de uma vela,

Que lá na extrema do horizonte assoma;

Como se ama o clarão da branca lua,

Da noite na mudez os sons da flauta,

As canções saudosíssimas do nauta,

Quando em mole vaivém a nau flutua,

Como se ama das aves o gemido,

Da noite as sombras e do dia as cores,

Um céu com luzes, um jardim com flores,

Um canto quase em lágrimas sumido;

Como se ama o crepúsculo da aurora,

A mansa viração que o bosque ondeia,

O sussurro da fonte que serpeia,

Uma imagem risonha e sedutora;

Como se ama o calor e a luz querida,

A harmonia, o frescor, os sons, os céus,

Silêncio, e cores, e perfume, e vida,

Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem

Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale

Cantar a voz do trovador cansada:

O que é belo, o que é justo, santo e grande

Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,

Por quanto já sofri, por quanto ainda

Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.

O que espero, cobiço, almejo, ou temo

De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas

Com quanto amor eu te amo, e de que fonte

Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!

Esta oculta paixão, que mal suspeitas,

Que não vês, não supões, nem te eu revelo,

Só pode no silêncio achar consolo,

Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.

De mim não saberás como te adoro;

Não te direi jamais,

Se te amo, e como, e a quanto extremo chega

Esta paixão voraz!

Se andas, sou o eco dos teus passos;

Da tua voz, se falas;

o murmúrio saudoso que responde

Ao suspiro que exalas.

No odor dos teus perfumes te procuro,

Tuas pegadas sigo;

Velo teus dias, te acompanho sempre,

E não me vês contigo!

Oculto e ignorado me desvelo

Por ti, que me não vês;

Aliso o teu caminho, esparjo flores,

Onde pisam teus pés.

Mesmo lendo estes versos, que m'inspiras,

— "Não pensa em mim", dirás:

Imagina-o, se o podes, que os meus lábios

Não to dirão jamais!

Sim, eu te amo; porém nunca

Saberás do meu amor;

A minha canção singela

Traiçoeira não revela

O prêmio santo que anela

O sofrer do trovador!

Sim, eu te amo; porém nunca

Dos lábios meus saberás,

Que é fundo como a desgraça,

Que o pranto não adelgaça,

Leve, qual sombra que passa,

Ou como um sonho fugaz!

Aos meus lábios, aos meus olhos

Do silêncio imponho a lei;

Mas lá onde a dor se esquece,

Onde a luz nunca falece,

Onde o prazer sempre cresce,

Lá saberás se te amei!

E então dirás: Objeto

Fui de santo e puro amor:

A sua canção singela;

Tudo agora me revela;

Já sei o prêmio que anela

O sofrer do trovador.

"Amou-me como se ama a luz querida,

Como se ama o silêncio, os sons, os céus,

Qual se amam cores e perfume e vida,

Os pais e a pátria, e a virtude e a Deus!"

Gonçalves Dias

Imagem de Dimitar Voinov Junior

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

 

Manuel Nunez - 20

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Imagem de Manuel Nunez

terça-feira, 17 de julho de 2012

Para ser grande, sê inteiro

LAURI BLANK-2

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa

Imagem de LAURI BLANK

Foi um momento


Dimitar Voinov Junior -5

Foi um momento

O em que pousaste

Sobre o meu braço,

Num movimento

Mais de cansaço

Que pensamento,

A tua mão

E a retiraste.

Senti ou não?

Não sei. Mas lembro

E sinto ainda

Qualquer memória

Fixa e corpórea

Onde pousaste

A mão que teve

Qualquer sentido

Incompreendido,

Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,

Mas numa estrada

Como é a vida

Há uma coisa

Incompreendida...

Sei eu se quando

A tua mão

Senti pousando

Sobre o meu braço,

E um pouco, um pouco,

No coração,

Não houve um ritmo

Novo no espaço?

Como se tu,

Sem o querer,

Em mim tocasses

Para dizer

Qualquer mistério,

Súbito e etéreo,

Que nem soubesses

Que tinha ser.

Assim a brisa

Nos ramos diz

Sem o saber

Uma imprecisa

Coisa feliz.

Fernando Pessoa

Imagem de Dimitar Voinov Junior

Foi para ti

Licio Passon - 2

Foi para ti que criei as rosas.

Foi para ti que lhes dei perfume.

Para ti rasguei ribeiros

e dei ás romãs a cor do lume.

Eugénio de Andrade

Imagem de Licio Passon

E por vezes as noites duram meses

Danilo Ricciardi - 10

E por vezes as noites duram meses

E por vezes os meses oceanos

E por vezes os braços que apertamos

nunca mais são os mesmos.

E por vezes

encontramos de nós em poucos meses

o que a noite nos fez em muitos anos

E por vezes fingimos que lembramos

E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos

só o sarro das noites não dos meses

lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes por vezes ah por vezes

num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

Imagem de Danilo Ricciardi

A arte de ser feliz

ElenaYushina

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que
pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um
galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar,
cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

Imagem de ElenaYushina

Permita que eu feche os meus olhos

 

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

Cecília Meireles

Imagem de Ken Hamilton

Silêncio

Mstislav Pavlov-3

O Amor cala.


Fica.


O silêncio do aroma partilhado


O gosto colorido da memória guardada


A carícia que vive e queima depois de ser


O som dos acordes das palavras trocadas,


[melodia]


O Amor não diz,


Fica.

Alma

Imagem de Mstislav Pavlov

Flor da pele

Angel Ramiro Sanchez

Perde-te comigo
Despi-me com os teus olhos
Beija-me suavemente
Toca meus cabelos
Senti o meu cheiro
Agarra-me seguro
Toca-me sem pressa
Conhecer o meu mapa
Deixar transpirar o desejo
E assim em cada gesto
Eu possa sentir-te teu suspiros
Chama que arde, quimera
Que devora-me com os beijos
E assim trocamos juras de amor
E nessa ventura , dar-me toda ternura
Fazendo meu coração bater
E só tem lugar pra esse amor
Careço desse calor que me deixa a flor da pele
Querendo todo dia me perder

Heloisa Melo

Imagem de Angel Ramiro Sanchez

Paixão

ElenaYushina-3

Quando te vi logo senti
Uma força estranha tamanha no peito
Que foi crescendo tomando conta de mim
Teu sorriso suave me prendeu de jeito
Te tinha como amigo, hoje está difícil esconder
Não sei se tu me vê com outros olhos
Nem sei se pensas em mim
Tanto quanto eu penso em ti
Só sei que mexestes tudo em mim
Destelhou meu coração e me deixou sem céu
Chegastes de repente e quando dei por mim
Te queria sempre ao meu lado
Tua voz tão macia
Teus gestos me fazia-me arrepiar
Sonhava contigo acordada
E não vou te enganar , esse sentimento só fez engrandecer
Já tentei esconder , até me ausentei
Mas só aumentou essa vontade louca de tê-lo ao pé de mim
Já até tentei calar
Mas o coração só quer falar
Quero-te !!! adoro-te !! desejo-te !!

Heloisa Melo

Imagem de ElenaYushina

terça-feira, 10 de julho de 2012

Viver na Beira-Mar

Dimitar Voinov Junior - 5

Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.
Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"

Imagem de Dimitar Voinov Junior

Urbanização

Hiro Yamagata-1

Tudo o que vivêramos
um dia fundiu-se
com o que estava
a ser vivido.
Não na memória
mas no puro espaço
dos cinco sentidos.
Havíamos estado no mundo, raso,
um campo vazio de tojo seco.

Depois, alguém
urbanizou o vazio,
e havia casas e habitantes
sobre o tojo. E eu,
que estivera sempre presente,
vi a dupla configuração de um campo,
ou a sós em silêncio
ou narrando esse meu ver.

Fiama Hasse Pais Brandão


As Fábulas
edições quasi


Imagem de Hiro Yamagata

quarta-feira, 4 de julho de 2012

“Talvez não saibas Mas dormes nos meus dedos”

 

“Talvez não saibas
Mas dormes nos meus dedos
De onde fazem ninhos as andorinhas
E crescem frutos ruivos e há segredos
Das mais pequenas coisas que são minhas

Talvez tu não conheças mas existe
Um bosque de folhagem permanente
aonde não te encontro e fico triste
Mas só de te buscar fico contente

Ao meu amor quem sabe se tu sabes
Sequer, se em ti existe, ou só demora
Ou são como as palavras essas aves
Que cantam o teu nome e a toda a hora

Ao meu amor quem sabe se tu sabes
Sequer, se em ti existe, ou só demora
Ou são como as palavras essas aves
Que cantam o teu nome e a toda a hora

Talvez não saibas mas digo que te amo
E construir o mar em nossa casa
Que é por ti que pergunto e por ti chamo
Se a noite estende em mim a sua asa

Talvez não compreendas, mas o vento
Anda a espalhar em ti os meus recados
E que há por do sol no pensamento
Quando os dias são azuis e perfumados

Oh meu amor quem sabe se tu sabes
Sequer, se em ti existe, ou só demora
Ou são como as palavras essas aves
Que cantam o teu nome e a toda a hora

Oh meu amor quem sabe se tu sabes
Sequer, se em ti existe, ou só demora
Ou são como as palavras essas aves
Que cantam o teu nome e a toda a hora”


T.Doronina-4

Imagem de T.Doronina