sábado, 23 de março de 2013

Príncipe

Francois Fressinier (8)

Príncipe:

Era de noite quando eu bati à tua porta

e na escuridão da tua casa tu vieste abrir

e não me conheceste.

Era de noite

são mil e umas

as noites em que bato à tua porta

e tu vens abrir

e não me reconheces

porque eu jamais bato à tua porta.

Contudo

quando eu batia à tua porta

e tu vieste abrir

os teus olhos de repente

viram-me

pela primeira vez

como sempre de cada vez é a primeira

a derradeira

instância do momento de eu surgir

e tu veres-me.

Era de noite quando eu bati à tua porta

e tu vieste abrir

e viste-me

como um náufrago sussurrando qualquer coisa

que ninguém compreendeu.

Mas era de noite

e por isso

tu soubeste que era eu

e vieste abrir-te

na escuridão da tua casa.

Ah era de noite

e de súbito tudo era apenas

lábios pálpebras intumescências

cobrindo o corpo de flutuantes volteios

de palpitações trémulas adejando pelo rosto.

Beijava os teus olhos por dentro

beijava os teus olhos pensados

beijava-te pensando

e estendia a mão sobre o meu pensamento

corria para ti

minha praia jamais alcançada

impossibilidade desejada

de apenas poder pensar-te.

São mil e umas

as noites em que não bato à tua porta

e vens abrir-me

Ana Hatherly

Imagem de Francois Fressinier

Me encantam teus olhos que brilham

Gianni Strino-6

 

Me encantam teus olhos que brilham
Tuas suaves mãos que me acalantam,
Teus traços bem feitos onde trilham
Meus doces beijos que te encantam.

E tua voz murmurando em meu ouvido
Faz minha pele todinha se arrepiar,
Sabes que esta vida não teria sentido,
Se eu fosse proibida de te amar.

E me flagro com teu rosto em minha mente
Alternando tuas palavras em meus pensamentos,
Lembro-me cada verso, cada semente
Semeada em nossa alma em todos os momentos.

E, pudesse eu, cantaria agora ao mundo,
Que te amo e que este amor é tão bonito!
Registaria em todo canto, a cada segundo,
Maior que o meu amor, nem mesmo o infinito!
Ivone da Conceição R. Carvalho

Imagem de Gianni Strino

Atravessa os caminhos da noite

David Inshaw

Atravessa os caminhos da noite
e vem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
Luísa Dacosta

Imagem de David Inshaw

Somos apenas o universo

Arthur Braginsky

Somos apenas o universo
como ele nos é. À noite cato estrelas
no teu corpo e as carícias que me vestem
são cúmplices da água.
Mastigamos o solo na erva que nos pasta
e espalhas sobre mim gotas de mar.
Com água em rocha, flexível e exacta,
entras na minha pele, maré a encher.
Só temos asas porque temos corpo.
... Anjos de nós, é rés do solo que
a música nos despe nas alturas.
Tão ágeis como figuras do Kamasutra.

Rosa Alice Branco 

Imagem de Arthur Braginsky 

Entraste na casa do meu corpo

Ennio Montariello-2

Entraste na casa do meu corpo,
desarrumaste as salas todas
e já não sei quem sou, onde estou.
O amor sabe.
O amor é um pássaro cego
que nunca se perde no seu voo.

Casimiro de Brito

Imagem de Ennio Montariello

quarta-feira, 6 de março de 2013

“Que o presente é uma semente do futuro.”

Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.
Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho
Da carne que partilhamos,
Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.
Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.
Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto
Em que ambos cicatrizamos
E seguro.
Não receio o velho agravo que suturo.
Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraso os ramos secos,
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.
Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.
Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.
Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono
Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.

Samuel Úria e Márcia

“Se o mundo é só um espelho do que eu valho, então trabalho-o, Definho o grilho velho que ainda escolho quando falho. Se o mundo é só a mágoa com que meço, então despeço-o E regresso ao troço estreito exterior ao Universo.”

Forasteiro

Se o mundo é uma pedra de tropeço, eu arremesso-o
E ofereço a esfera ao espaço, está suspenso o meu apreço.
Se o mundo me merece tanta prece, nem por isso
A mundos dou interesse, nem a crises dou acesso.

Se o mundo é uma bolha de lamento, eu arrebento
E tento não estar dentro se se encontra em pronto pranto.
Se o mundo não demora, que a agrura morra agora
E eu choro com quem chora pra os pescar do mundo fora.

Não não não tenham medo
Que o mundo foi vencido
E eu sou aliado.

Não não não tenham mundo
Que o medo foi criado
E eu sou doutro lado.

Se o mundo é só um espelho do que eu valho, então trabalho-o,
Definho o grilho velho que ainda escolho quando falho.
Se o mundo é só a mágoa com que meço, então despeço-o
E regresso ao troço estreito exterior ao Universo.

Tresmalho o rebanho,
Aqui eu sou estranho.
Minha marcha é recta;
A vida é rotunda.
O que não me afecta
Já não me afunda.

Não não não tenham medo
Que o mundo foi vencido
E eu sou aliado.

Não não não tenham mundo
Que o medo foi criado
E eu sou doutro lado.

Samuel Úria

“Pelo céu ás cavalitas, escondi nos teus caracóis, a estrela mais bonita, que eu já vi”

Por mais que a intenção seja as retas. Não podemos evitar as curvas...Bia Lira

Curvas

Brindo com versos aquela tarde

Paixão

 

 

 

 

 

 

 

Brindo com versos aquela tarde.

Lembro-me daquele olhar

Se escondendo quando tudo que queria era se mostrar escancarado!

Um momento que não merecia nada menos que ser amado

Brindo com poesia todo resto do tempo

Depois do dia que te vi entre tantos rostos

O teu me encantou.

Eu brindo com versos tudo que minha alma sentiu naquele dia.

Eu brindo com versos por ter conhecido um pouco de ti

Por ter te visto sorrir

Por me permitir te abraçar

Eu brindo com versos um dos meus sonhos que se tornou realidade

Você!

E todos os sonhos que junto a ti sonharei

E com versos podemos brindar também

O amor, amor, amor!

Bia Lira

terça-feira, 5 de março de 2013

Tu ! Que possuis a beleza das orquídeas….GV

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Alguns poemas, fazem com que a gente entre em lugares que jamais sonhamos em ir, alguns poemas fazem a gente entrar em um "paraíso orquidal" cheinho de borboletas, alguns poemas fazem a gente sentir sensações inacreditáveis !
Bia Lira

sexta-feira, 1 de março de 2013

 

Lágrimas

Só que aí eu acabei mudando. E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queria muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar.

Acervo da Tati Bernardi