domingo, 28 de abril de 2013

“Você não sabe até onde eu chegaria Pra te fazer feliz Eu chegaria Onde só chegam os pensamentos”

Você não sabe quanta coisa eu faria
Além do que já fiz
Você não sabe até onde eu chegaria
Pra te fazer feliz

Eu chegaria
Onde só chegam os pensamentos
Encontraria uma palavra que não existe
Pra te dizer nesse meu verso quase triste
Como é grande o meu amor

Você não sabe que os anseios do seu coração
São muito mais pra mim
Do que as razões que eu tenha
Pra dizer que não
E eu sempre digo sim
E ainda que a realidade me limite
A fantasia dos meus sonhos me permite
Que eu faça mais do que as loucuras
Que já fiz pra te fazer feliz

Você só sabe
Que eu te amo tanto
Mas na verdade
Meu amor não sabe o quanto
E se soubesse iria compreender
Razões que só quem ama assim pode entender

Você não sabe quanta coisa eu faria
Por um sorriso seu
Você não sabe
Até onde chegaria
Amor igual ao meu

Mas se preciso for
Eu faço muito mais
Mesmo que eu sofra
Ainda assim eu sou capaz
De muito mais
Do que as loucuras que já fiz
Pra te fazer feliz

Erasmo Carlos / Roberto Carlos

Eu sei de muito pouco

 

Eu sei de muito pouco.

Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e – por ser um campo virgem – está livre de preconceitos.

Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é minha largueza.

É com ela que eu compreenderia tudo.

Tudo o que eu não sei é que constitui a minha verdade.

Clarice Lispector

E

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domingo, 21 de abril de 2013

A luz tinha som e o sol era uma orquestra. Anaïs Nin

Nocturno

 

Francois Fressinier (1)

As ondas do mar
num eterno murmúrio
sibilam ao vento
promessas de amor
de uma feiticeira
que à noite se entrega.

O cântico é doce
a Lua está prenhe
mas ao despertar
esse mar salgado
espraiado na areia
vê que ela o engana.

HelenaMar

Imagem de Francois Fressinier

MIGRAÇÃO

 

2013-01-27 019

Não é simples nomear rotas
afinal passamos a vida a fingir fugir dos lugares
mas ficamos lá sempre
a caminho de uma voz que não nos chama.
simulamos os sulcos, a gesta da viagem, os vazios da saudade
mas tudo o que sobrevém por fim são restos de mapas
fragmentos de país a país que percorremos nunca.
não sei se é preciso querer pouco ou querer demais
... se dia após dia é natural o desalento
no corpo na casa nas superfícies planas
ou se a preparação para o périplo da vida consiste apenas
em abrir os olhos
e não morrer antes de tempo.
não sei
não sei de que forma as realidades se esvaziam
se é por fissuras abertas pela inércia
ou se pela dor de termos fugido vezes demais.
é talvez essa ideia plana do mundo que ainda vive
essa terra deitada há tanto tempo
que quando decidimos partir
o corpo fica parado.
vai o espírito que não torna jamais.
e no fim somos apenas isso
aves migratórias esquecidas de voltar.
André Tomé, in “Insula”

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página

Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas – podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia – e essa é a verdade – cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.

A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão

Daniel Faria

Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos

Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos
E quero cair em desuso
Fundir-me completamente.
Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo
Os focos celestes que a candeia humana não iguala
Que os olhos da pessoa amada não fazem esquecer.
Amo tão grandemente a ideia do teu rosto que penso ver-te
Voltado para mim
Inclinado como a criança que quer voltar ao chão

Daniel Faria

Estranho é o sono que não te devolve.

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde.Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998

Guarda a manhã

Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar
Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão
Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões

Francois Fressinier (7)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.
É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
Daniel Faria

Imagem de Francois Fressinier

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
ilumino-a
Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em enxame
Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome
Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela
E ilumino-a
Daniel Faria

 

sábado, 13 de abril de 2013

Eu quero um colo, um berço
Um braço quente
Em torno ao meu pescoço
E uma voz que cante baixo
E pareça querer me fazer chorar
Eu quero um calor no inverno
Um extravio morno da minha consciência
E depois em som
Um sonho calmo
Um espaço enorme
Como a lua rodando entre as estrelas

Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de abril de 2013

F

Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é nós mesmos- que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa.(...)
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois 'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma. (...)

Fernando Pessoa

2013-03-02 042 copy

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...
É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...

Fernando Pessoa

“Minha vida seja digna da tua presença”

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.
[...]
Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.
Fernando Pessoa em "O Eu Profundo". 1912

Pelo Sabor Do Gesto

terça-feira, 9 de abril de 2013

Hoje sonhei que estava contigo

E

Hoje sonhei que estava contigo, que estava perto de uma infinita beleza que iluminava a minha vida.  A tua beleza era infindável, eras uma fonte interminável de muita sabedoria ... Nós sabemos que as estrelas são raras  mas perto de ti  são pequenas luzes no céu infinito,  os teus lindos olhos verdes que brilhavam muito mais que cristais,
o teu lindo rosto é como a mais linda flor da primavera, a mais linda do mundo ... és a mais bela do meu coração, porque no meu sonho és a estrela que brilha quando o mundo para de girar .

( Céu Moreira )

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Que o amor que tens pelo ser amado seja possível e vivenciado.

 

Desenhos vários-2

Que o amor que tens pelo ser amado
seja possível e vivenciado ...
Que não seja frustrado,escondido,
que possas gritar ao mundo esse belo amor .
Gritar para que todos saibam que o amor
existe ...E não só em livros ou filmes ...
Os maiores amores sofrem despedidas,
sofrem partidas, acenos de mãos,
lágrimas furtivas ...
__Áh...que seu amor seja uma realidade
bem vivida, que haja mais tarde la na frente
uma linda história pra contar.
Que não tenha despedida,seja um amor
sem partida e sem adeus.
AME MUITO
AME HOJE
AME AGORA
Marleninh@ Castilho

Os mais lindos bordados da vida são feitos com os fios de delicadeza que respeitam a sabedoria amorosa do tempo do coração… Ana Jácomo

 

domingo, 7 de abril de 2013

Faltam-me as palavras

 

PYMIN DAVIDOV

 

 

 

 

 

 

 

Faltam-me as palavras
para dizer-te o que sinto
faltam-me os poemas que descrevam o meu sentir
por isso me calo
deixo falar os sentidos
pois tudo o que eu disser ainda é pouco para ti
... Por mais frases bonitas que eu invente
não valem nada
o amor não se explica simplesmente é mesmo assim
se digo que te quero
ainda quero mais
se digo que te amo
não diz o que há em mim
se digo que te adoro
são palavras banais
comparado àquilo que eu sinto por ti
Faltam-me as palavras
para dizer-te o que sinto
Faltam-me os sorrisos que mostrem como estou feliz
Por mais frases bonitas que eu invente
não valem nada
o amor não se explica simplesmente é mesmo assim
se digo que te quero
ainda quero mais
se digo que te amo
não diz o que há em mim
se digo que te adoro
são palavras banais
comparado àquilo que eu sinto por ti
Faltam-me as palavras
Faltam-me as palavras
se digo que te quero
ainda quero mais
se digo que te amo
não diz o que há em mim
se digo que te adoro
são palavras banais
comparado àquilo que eu sinto por ti
se digo que te quero
ainda quero mais
se digo que te amo
não diz o que há em mim
se digo que te adoro
são palavras banais
comparado àquilo eu que eu sinto por ti
Faltam-me as palavras
Faltam-me as palavras

Maria Teresa

Foto de PYMIN DAVIDOV.

Quando te conheci ouve uma luz que me iluminou…GV

 

2013-02-11 001

Quando te conheci
Houve um lugar
Um tempo
Um sentimento
O tempo ficou marcado
O lugar será sempre lembrado
E o sentimento, jamais será terminado !
Marleninh@ Castilho