domingo, 12 de novembro de 2017

A VOZ QUE NOS RASGOU POR DENTRO


PLANETA

De onde vem - a voz que
nos rasgou por dentro, que
trouxe consigo a chuva negra
do outono, que fugiu por
entre névoas e campos
devorados pela erva?
Esteve aqui — aqui dentro
de nós, como se sempre aqui
tivesse estado; e não a
ouvimos, como se não nos
falasse desde sempre,
aqui, dentro de nós.
E agora que a queremos ouvir,
como se a tivéssemos re-
conhecido outrora, onde está? A voz
que dança de noite, no inverno,
sem luz nem eco, enquanto
segura pela mão o fio
obscuro do horizonte.
Diz: "Não chores o que te espera,
nem desças já pela margem
do rio derradeiro. Respira,
numa breve inspiração, o cheiro
da resina, nos bosques, e
o sopro húmido dos versos."
Como se a ouvíssemos.


Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"


Amor Infínito 1

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
Por isso, de deixar alguns sinais — um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser complicadas,
Quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a
Realidade aproxima-me de ti, agora que
Os dias correm mais depressa, e as palavras
Ficam presas numa refração de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
Mim — e me faz responder-te uma coisa simples,
Como dizer que a tua ausência me dói.

NUNO JÚDICE

sábado, 11 de novembro de 2017

"... E de novo acredito que nada do que é importante se
perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas,dos
instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os
amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não
perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para 

sempre."

Miguel Sousa Tavares

A Rapariga Que Roubava Livros

A Menina que Roubava Livros

Sinopse: O novo romance de Markus Zusak decorre durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha e conta-nos a história de Liesel Meminger, uma rapariga adoptada que vive nos arredores de Munique. Liesel cria um sentido para a sua vida roubando algo a que não consegue resistir - livros. Com a ajuda do seu pai adoptivo que toca acordeão, Liesel aprende a ler e, durante os bombardeamentos, compartilha os livros roubados com os seus vizinhos e com o judeu escondido na sua cave, antes de este ser deslocado para Dachau.

https://www.bing.com/videos/search?q=a+rapariga+que+roba+livros&&view=detail&mid=81F22F9C71E02DB1CE7781F22F9C71E02DB1CE77&FORM=VRDGAR

sábado, 4 de novembro de 2017

Para Viver um Grande Amor

Coração
É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada.

Carlos Drummond de Andrade

Ana Galvão

sem nome
Nasceu em Nova Lisboa, Angola.
Licenciada em Direito. Curso de Calcografia e Xilogravura (iniciação e especialização) com David de Almeida (Lisboa, 1982-85) no Atelier Experimental da Galeria Quadrum. Gravura em Pedra com H. Marçal (1986) e Dacos (1987), na Cooperativa “Gravura”. Processos de Mixed Media com Calado (1991). Processos de Impressão a Cor “Chine Cole” (2008) com Jorge de Sousa.
Editada pela “Gravura”. Editada pelo Centro Português de Serigrafia e Gravura. Editada pela Áster. Registo fílmico feito no Atelier da artista por A. Queiroz (2007), Cinemateca Portuguesa – ANIM – Arquivo Nacional Imagens Movimento. Seleccionada para os “100 Anos/100 Artistas” – Centenário da S.N.B.A. Artista convidada para “50 Anos de Gravura em Portugal”.
Sócia efectiva da S.N.B.A. e membro dos corpos gerentes. Sócia efectiva da “Água-Forte” e da “Aster”.



sexta-feira, 10 de abril de 2015

PALAVRAS

Serpentinas

Tem cuidado com as palavras

mesmo as milagrosas.

Pelas milagrosas nós fazemos o melhor possível,

por vezes são como uma multidão de insectos

que não nos deixa uma picada mas um beijo.

Podem ser tão boas como dedos.

Podem ser tão seguras como a rocha

onde te sentas.

Mas também podem ser ao mesmo tempo margaridas e [amachucadas.

Contudo, estou apaixonada pelas palavras.

São pombas que caem do tecto.

São seis laranjas santas pousadas no meu regaço.

São as árvores, as pernas do verão,

e o sol, seu impetuoso rosto.

No entanto, falham-me com frequência.

Eu tenho tantas coisas que quero dizer,

tantas histórias, imagens, provérbios, etc.

Mas as palavras não são suficientemente boas,

as erradas beijam-me.

Por vezes voo como uma águia

mas com as asas de uma carriça.

Mas tento ter cuidado

e ser amável com elas.

As palavras e os ovos devem manipular-se com cuidado.

Uma vez partidas há coisas

impossíveis de reparar.

Anne Sexton