quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Viajar nas pinturas de Eduardo Batarda

 

Eduardo Batarda

 

   Eduardo Batarda                                                    

Nasceu em Coimbra em 1943, onde entrou no curso de Medicina em 1960 de que viria a desistir três anos depois. Fez Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (63-68). Estudou no Royal College of Art em Londres entre 1971 e 1974 com uma bolsa da FCG. Esses anos foram determinantes no aprofundamento de uma tendência, assinalável já nas suas primeiras pinturas e sistematicamente presente desde então na sua obra, para pensar a arte, o papel da arte, a história de arte e a teoria de arte na própria pintura.

Fonte

: 

Eduardo Batarda-1

Mãos perfumadas

Brita Seifert-24

Minha boca no teu sorriso…

Brinco…

E sinto os teus gestos…

Nas minhas mãos perfumadas de desejo…

Gabriela Vitória

Imagem de Brita Seifert

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

“Mulher mais adorada”

Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, - que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem - nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura! Quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo!

Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim

Suavizo o meu corpo, Num voo da liberdade Liberto o meu ser…num som de verdade…Gabriela Vitória

Ken Hamilton

Imagem de Ken Hamilton

Na imensidão do teu esplendor...beijo o teu corpo com amor de flores…GV

Brenda Burke-5

Imagem de Brenda Burke

Rio de emoções

Hélène Béland-9

Rio de emoções

Pisei as águas transparentes do rio

Rio que corre e eu nas suas margens banho o meu corpo

Piso as pedras que brilham na corrente

com as minhas mãos pego na areia e desenho o teu corpo…

Chapinho na água como uma criança...

Danço como se tivesse pés de bailarina

e asas de andorinha…

Para ti fiz um colar de pedrinhas

para te dar, minha rainha…

Olho para água, vejo peixes de prata a saltarem de alegria

peixes d’oro a fazerem poesia,

beijaram meu corpo,

fizeram feliz o meu dia…

Gabriela Vitória

Imagem de Hélène Béland

 

Hoje cantarolei o teu nome

Jose Royo - 1

Hoje cantarolei o teu nome

Hoje acordei a cantar o teu nome
Cantarolei o teu corpo na minha voz

Dancei nos teus lábios sem te beijar

Pintei os teus seios sem lhe tocar

Fiz melodias dos teus olhos sem te ver

Beijei a tua alma sem te sentir
E tu sentistes a minha luz como uma guitarra a gemer

Gabriela Vitória

Imagem de Jose Royo