terça-feira, 3 de março de 2015

Reconheça-me

Mar de amar

No ar, sou o sabor da química
No Mar, tua cor salina
No vento, sou a brisa quente
Na Luz, teu som fluorescente
Na água, sou refrescância
Na terra, tua análoga dança
No amor, sou o desafio
Na dor, teu arrepio
No sol, sou a cor amarela
No chuva, tua cancela
No medo, sou a nova lágrima
Na coragem, tua doce adaga
No sono, sou a suave canção
No grito, tua fiel interjeição
No beco, sou a esquina
No silêncio, tua guia
No peito, sou tuas mil cores
Nos vãos, tuas nascentes flores

E se tens em ti tudo de mim
E nas coisas sou em tudo tua
Percebas meu amor imenso em ti
Minha alma no teu peito se mistura...

Ka Santos


Antonio Canova

Não sei, nunca soube
determinar onde começam
os meus braços
e onde terminam os teus
talvez por isso
tenha esta tão grande necessidade
de te abraçar sempre
como se o tamanho não contasse
mas apenas o gesto e o conforto em si
de sentir a calma do teu silêncio
encaixada bem perto da minha orelha
e os olhos fechados de tanta felicidade

são reis

Imagem de António Canova

Pássaros

Sou um pouco como os pássaros
Tenho uma sede de lonjura e de infinito
que não se firma nas mãos
que deixa o espírito inquieto
quase à beira da loucura
Tenho essa sede de palavras
em dose diária
quase como uma espinha
atravessada na garganta
que nem me mata nem me afoga
mas que me faz cantar e desejar
que as palavras nunca se me acabem
para que eu me possa soltar
e pelos breves momentos que roçam meus lábios
eu possa me sentir um pouco
assim como os pássaros
de mãos vazias mas infinitamente livre
são reis

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Ter-te longe
e desejar-te aqui,
onde o frémito do corpo acontece.
Aqui, lugar onde
o vício dos olhos e das mãos me inquieta.

Ah, ter-te perto
suster a respiração,
cerrar os olhos
e deixar que tudo comece
e acabe em ti.

Ensaiar o voo da águia
e suavemente planar sobre a superfície
sinuosa do teu corpo perfeito
no asa-delta da paixão.

Ter-te perto,
sentir o perfume da tua presença
pelo calor do corpo,
pela claridade dos olhos
e pensar
que o sol e a alegria
de cada manhã,
nascem exatamente em ti.

Miguel Afonso Andersen

segunda-feira, 2 de março de 2015

Um romance é como um arco de violino, a caixa que produz os sons é a alma do leitor. Stendhal

Jean Michel Bernier

Imagem  de Jean Michel Bernier

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Amores imortais
Quem disse que aquele amor esta morto?
Sei que respira e pulsa mesmo quieto...
Como seria nosso caso inesperado de amor
Seria debaixo de alguma chuva torrencial?
Encostado nalguma árvore bem frondosa
Bem escondido entre a folhagem espessa
Os corpos molhados se tocando devagar
Peles úmidas que se procuram silenciosas
E ocorrem correntes elétricas no sangue
Tamanha quantidade de arrepios da pele
E partes de nosso corpo ganhariam vida
Saiba que amor é poesia e a poesia é amor
Soubemos encontrar nessa nossa paixão
São os segredos escondidos no seu coração
Que ecoam nas batidas desesperadas do meu
Enquanto lágrimas rolam feito tempestade
No exato momento em que tu nega me amar
Essa sua boca sente o prazer de meu beijo
E suas mão apertam o meu ausente corpo
Lembranças perfeitas de sonhos desfeitos
Pois os amores assim nunca morrem...
Eternizam em sua mais suave essência

Luizão Bernardo

domingo, 25 de janeiro de 2015

Tão fria

Caminho

Tão fria, tão vazia,
repleta de sentimentos indecifráveis,
coração enfraquecido de tanta dor,
ela era o sofrimento em pessoa,
a mágoa, o medo de amar a consumia muito,
depois de tantas deceções não podia ser diferente,
depois de tanta dor, era o mínimo o que ela podia fazer,
ela era indiferente, porque as pessoas a fizeram ficar assim,
era sua proteção, sua máscara, mas por dentro
ela não era nada disso, mais tinha que ser,
se não seria mais magoada,
Ela era uma garota frágil porém forte, ela tinha carência
de atenção, tinha saudades de uma pessoa que nunca existiu,
sabe quem?
Dela mesma, de uma pessoa que não se apegava,
não se importava, porém “essa pessoa” nunca existiu,
a vontade dela era que ela existisse, mas ela não sabia como.
Ela precisa recuperar os seus pedaços, seus restos, suas migalhas,
seus sentimentos que ainda existiam, eram poucos ela sabia,
mas eram o que restavam. Para ela tudo amargava,
tudo não tinha sabor, principalmente o amor.
O amor era uma das coisas que ela não queria mais em excesso,
assim ela podia se desapegar mais ligeiro, sem sofrimento,
ela sabia que isso era bem difícil de conseguir.
Mas ela tentava ser sempre a garota “grossa, amarga, fria”
com temor que o amor, e as pessoas,
ainda destruíam seu coração e seus sentimentos. E a vontade de
não ser magoada, aumentava muito,
mas ela sabia que isso era impossível.
As “coisas” mais insignificantes a magoavam bastante,
porque ela estava tão enfraquecida, mas ela guardava
pra si mesma, para ser considerada “a forte”,
ela encarava tudo com um sorriso, o sorriso dela
a feria mais do que as suas próprias lágrimas
que ela derramava todos os dias no seu travesseiro
Ela era o devaneio,
o sonho,
a incógnita.
o repúdio.

Oswald Pires