domingo, 18 de novembro de 2012

É vulgar as pessoas não prestarem atenção

Claude Theberge - 1

É vulgar as pessoas não prestarem atenção à chuva no inverno, ao calor no verão, às andorinhas na primavera, às árvores despidas no outono, ao pinheiro no natal, à neve na montanha, ao luar na noite, e do mesmo modo às palavras que o poeta infatigavelmente proferia todas as manhãs, porque tudo aquilo que é natural as pessoas tendem a desprezar sem sequer reflectir; apartando-se assim da vida, da felicidade, e enfim descobrindo a mera sobrevivência e a mediocridade.
Um dia isso mudo

Diogo Da Costa Ferreira

Imagem de Claude Theberge

“O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.”

 

Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto

 

“O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas”

sábado, 17 de novembro de 2012

Para Viver um Grande Amor

Evgeny Mukovnin

É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.

Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,

Por amores do passado que foram em vão

É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.

É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!

É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!

É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...

Par

a que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,

Aparando as arestas que podem machucar.

É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!

E quando decidir que chegou a sua hora de amar,

Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!

De gostos, de gestos, de pele...

No modo de sentir e de pensar!

É preciso ver a luz iluminar a aura,

Dando uma chance para que o amor te encontre

Na suavidade morna de uma noite calma...

É preciso se entregar de corpo e alma!

É preciso ter dentro do coração um sonho

Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!

É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!

É preciso conquistar e se deixar seduzir...

Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!

Amar com emoção para se saber sentir

A sensação do momento em que o amor te devora!

E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,

Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!

Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado

De todos os caminhos de sua vida trilhados!

Mas se assim não for...

Que nunca te arrependas pelo amor dado!

Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...

Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!

Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.

Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.

Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...

A certeza que... realmente você amou.

A certeza que... realmente você foi amada."

Carlos Drummond de Andrade

Imagem de Evgeny Mukovnin

Habita-me

 

Alexandra Nedzvetskaya-4

Povoa-me no outono!!

habita-me

Na primavera!!

Invade-me no momento em que pensas em mim.

Gabriela Vitória

Imagem de Alexandra Nedzvetskaya

terça-feira, 13 de novembro de 2012

“Aconteceu quando a gente não esperava Aconteceu sem um sino pra tocar Aconteceu diferente das histórias Que os romances e a memória Têm costume de contar Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas Aconteceu sem um raio de luar O nosso amor foi chegando de mansinho Se espalhou devagarinho Foi ficando até ficar Aconteceu sem que o mundo agradecesse Sem que rosas florescessem Sem um canto de louvor Aconteceu sem que houvesse nenhum drama Só o tempo fez a cama Como em todo grande amor”

“O nosso amor foi chegando de mansinho Se espalhou devagarinho Foi ficando até ficar”

“É o Amor...que mexe com minha cabeça e me Deixa assim.. que faz eu pensar em você e esquecer de mim que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver”

“eu sou o seu apaixonado de alma transparente”

Eu não vou negar..que sou louco por você

Estou maluco pra lhe ver...Eu não Vou negar...

Eu não vou negar sem você tudo é saudade

você traz felicidade..Eu não Vou negar..

Eu não vou negar..você é meu doce mel..

meu pedacinho de céu..

eu não vou negar!!

Você é minha doce amada..Minha alegria!

meu conto de fada..minha fantasia..!

a paz que eu preciso para sobreviver.,.

eu sou o seu apaixonado de alma transparente..

louco alucinado..meio inconsequente

um caso complicado de se entender..

É o Amor...que mexe com minha cabeça e me deixa assim..

que faz eu pensar em você e esquecer de mim

que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver..

É o amor..que veio como um tiro certo no meu coração

e derrubou a base forte da minha Paixão

e fez eu entender que a vida é nada..sem você..

Eu não vou negar..você é meu doce mel..

meu pedacinho de céu..

eu não vou negar!!

Você é minha doce amada..Minha alegria!

meu conto de fada..minha fantasia..!

a paz que eu preciso para sobreviver.,.

eu sou o seu apaixonado de alma transparente..

louco alucinado..meio inconsequente

um caso complicado de se entender..

É o Amor...que mexe com minha cabeça e me Deixa assim..

que faz eu pensar em você e esquecer de mim

que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver..

É o amor..que veio com um tiro certo no meu coração

e derrubou a base forte da minha Paixão

e me fez entender que a vida é nada..sem você..

Zezé Di Camargo / Carlos Cezar

domingo, 11 de novembro de 2012

A BELEZA EM CADA SER É UMA ALEGRIA ETERNA

"A beleza em cada ser é uma alegria eterna:
o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder
no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio
de paz, onde adormeceremos, habitados por sonhos
suaves, uma íntima plenitude, uma respiração branda.
Comecemos, assim, a tecer em cada manhã
uma grinalda de flores para nos unirmos à terra,
apesar do desalento, da aus...ência daqueles
cuja nobreza amávamos, dos dias cheios de escuridão,
de todos os caminhos insalubres e misteriosos,
abertos para os nossos anseios; sim, apesar de tudo,
uma forma de beleza afasta o sudário
das nossas almas sombrias. Assim é o sol, a lua,
as antigas ou novas árvores cuja bênção faz germinar
a sombra sobre os humildes rebanhos; os narcisos
e o mundo verdejante que os cerca; e os límpidos rios
que para si criam um dossel de frescura
durante as estações ardentes; os silvados do bosque
enriquecidos pelo belo, nascente esplendor das rosas;
e, também, a magnificência do destino
que imaginamos para os mortos poderosos;
e as histórias encantadoras que lemos ou escutamos:
fonte inesgotável duma imortal bebida,
que vem do limiar do céu e para nós se derrama.
E não é apenas durante algumas horas breves
que ficamos presos a estas essências; assim como as árvores
murmurando à volta dum templo logo se tornam
tão amadas como o próprio templo, também a lua
e a paixão da poesia, glórias infinitas, tantas vezes
nos assombram, até serem uma luz vivificadora
para a alma, e tão estreitamente nos cingem
que, fique a brilhar o sol ou se apaguem os céus,
para sempre hão-de existir em nós, ou morreremos."


John Keats, in "Poesia Romântica Inglesa", Relógio D'Água, 1992 (trad. Fernando Guimarães)