Foto de Maria José Martins
sábado, 31 de março de 2012
Sei de um rio
Sei que…para além do que os meus olhos conseguem alcançar
Existe um rio de águas de bonança e um olhar de esperança
Tem margens verdejantes…verde esperança…olhar de criança
Tem árvores de porte altivo…mas de ar sereno e cativo
Que abrigam os pássaros no seu seio…dão sombra e criam enleio
Flores de todas as cores…borboletas…beija-flores e seus amores
Um rio assim…tem de ser feito de amor…paz…carinho e gratidão…
Quando encontrar…o meu rio…descanso a alma e o coração.
Catarina Pinto
Imagem de Doris Joa
BEIJOS TERNOS E ETERNOS
Bocas ávidas,
entreabertas à vida...
Sentir esperando.
vontade de carinho, do querer.
Beijos ternos,
daqueles que alentam o coração,
fazendo carícias na vida.
Beijos eternos,
daqueles que tatuam a alma,
ficam para sempre na gente.
Junção perfeita do terno e eterno,
numa parceria da essência,
da pureza do ser...
Bocas fundidas,
na explosão do amor.
Bocas fundidas,
iniciando a junção carnal,
de tudo, amoroso ritual,
de mim, de você, nosso,
na ternura de um beijo eterno e terno,
acontece a consumação do amor...
Marcial Salaverry
Imagem de Eva Antonini
sexta-feira, 30 de março de 2012
Quero o que não vejo
Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, uma
alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso.
Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero
muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos,
nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por
isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz.
Mulher Solitaria
Imagem de Vera Bakhchevan
quarta-feira, 28 de março de 2012
...ME ARRANQUE DE TI.....................
...ME ARRANQUE DE TI.....................
CORPO…
…Que me toque
Me revolte e revire
Até ao âmago…
…Do limite...
Que desenraíze de mim
A sensível insensatez
Que arranque de uma só vez
As cordas deste bandolim…
Que a tempo desvaneça
Me arranque do ser
Este desejo de ter
Que adormecendo memória esmoreça…
Que me volte
Que me vire
E dessa espiral me tire...
Um CORPO…
…Que me livre e solte...
...Deste vício…
Quente...
Suplicio…
:
:
:
:
:
:
:................…de TI…........
:
:
:
:
Rzorpa
Se me quer
Se me quer, converta o caminho e volte.
E dos seus lábios maduros, colha o fruto
Pois descobri, será sempre meu Norte.
E dessa necessidade estranha, não me furto.
Vem, sussurra os versos da tua poesia.
Derreta o gelo dessa longa madrugada.
Soletrando meus sonhos, a pele acaricia.
Mergulha tua latência na alma represada.
Então entrarei em tuas frestas, teus vãos.
Te acolhendo feliz, lânguido em meu regaço.
E deitaremos às margens do nosso cansaço.
E quando outra vez na desmedida amplidão.
Se for e me deixar no silêncio abissal, no breu.
Leve meu coração, que será para sempre teu.
Mulher Solitaria
Imagem de Mary Jane Ansell
terça-feira, 27 de março de 2012
SECRET
Segredo
É pensamento escondido em pedra
Que forma
Deforma
No oco do oco de sua crueza
E quando
Dela sai
Pode voar
Ou cair
Abrindo
F E N D A S
Wanda Monteiro
Imagem de Yarek Godfrey
MÃOS
Minhas mãos procuram
No escuro
Uma palavra perdida
Minhas mãos movem-se
Às cegas
Nessa busca parida da dúvida bruta
Minhas mãos
Uma palavra
Uma busca
E o breu implacável do Verbo oculto
WANDA MONTEIRO
Imagem de Hiroko Sakai
MANTO DE SONHOS
MANTO DE SONHOS
Desse manto que me cobre
Já tentaram me despir
Desse manto que me apascenta
Já tentaram me salvar
Meu manto
Meu desabrigo do real
Quando dele
Tentei me despojar
Pateticamente
Vestida com a trama da razão
Adoeci
Desnudada de asas
E sentidos
WANDA MONTEIRO
Imagem de Soledad Fernández
Aprendi
Aprendi …
que eu não posso exigir o amor de ninguém.
Posso apenas dar boas razões
para que gostem de mim e ter paciência,
para que a vida faça o resto.
Aprendi …
que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim,
tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi …
que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi …
Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.
Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces,
e o mesmo vale para tudo o que cortamos
em nosso caminho.
Aprendi …
Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.
Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.
Aprendi …
que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sente.
Aprendi …
que perdoar exige muita prática.
Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Aprendi …
Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi …
que posso ficar furioso,
tenho o direito de me irritar,
mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi …
que meu melhor amigo vai me machucar
de vez em quando, e que eu tenho que
me acostumar com isso.
Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.
Aprendi que,
não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi…
Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto;
Aprendi …
que numa briga preciso escolher de que lado eu estou, mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem,
não significa que elas se odeiem;
e quando duas pessoas não discutem
não significa que elas se amem.
Aprendi que …
por mais que eu queira proteger os meus filhos,
eles vão se machucar e eu também.
Isso faz parte da vida.
Aprendi …
que a minha existência pode mudar para sempre,
em poucas horas,
por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que …
diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.
Aprendi …
que as palavras de amor perdem o sentido,
quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.
Aprendi …
que certas pessoas vão embora da nossa vida
de qualquer maneira,
mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal …
que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir as pessoas,
e saber lutar pelas coisas em que acredito.”
William Shakespeare
Imagem de Danilo Ricciardi
domingo, 25 de março de 2012
sábado, 24 de março de 2012
Suspensão Coloidal
Penso no ser poeta, e andar disperso
na voz de quem a não tem;
no pouco que há de mim em cada verso,
no muito que há de tudo e de ninguém.
Anda o cego a tocar La Violotera,
e eu a vê-lo e a cegar;
e a pobre da mulher esfregando e pondo a cera,
e eu a vê-la, e a esfregar
Que riso perto, que aflição distante,
que infíma débil, breve coisa nada,
iça, ao fundo, esta draga carburante,
rasga, revolve e asfalta a subterrânea estrada?
Postulados e leis e lemas e teoremas,
tudo o que afirma e fura e diz sim,
teorias, doutrinas e sistemas,
tudo se escapa ao autor dos meus poemas.
A ele, e a mim.
António Gedeão
Imagem de Ivan Slavinsky
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles
Imagem de A_D_ Cook
As Pombas
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo, elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
Raimundo Correia
Imagem de Javier S_ Barrera
“Foi na manhã acesa em ti, abacate, abrunho E a pêra francesa, romã, framboesa, kiwi”
Quando eu vi olhos de ameixa e a boca de amora silvestre
Tanto mel, tanto sol, nessa tua madeixa, perfil sumarento e agreste
Foi a certeza que eras tu, o meu doce de uva
E nós sobre a mesa, o amor de morango e cajú
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá tenho sede, quero o teu amor d'água fresca
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá tenho sede, quero o teu amor d'água fresca, ohoh...
Tens na pele travo a laranja e no beijo três gomos de riso
Tanto mel, tanto sol, fruta, sumo, água fresca, provei e perdi o juízo
Foi na manhã acesa em ti, abacate, abrunho
E a pêra francesa, romã, framboesa, kiwi
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá tenho sede, quero o teu amor d'água fresca
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça
Vem... vem... vem cá, tenho sede, quero o teu amor d'água fresca
Ah... foi na manhã acesa em ti, abacate, abrunho
E a pêra francesa, romã, framboesa, kiwi
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá, tenho sede, quero o teu amor d'água fresca
Peguei, trinquei e meti-te na cesta, ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá, tenho sede, quero o teu amor d'água fresca
Peguei, trinquei e meti-te na cesta
Rosa Lobato de Faria
domingo, 18 de março de 2012
“Eu quero ser possuída por você, Pelo seu corpo, Pela sua proteção e pelo seu sangue. Me ama”
“A vida inteira resumida só no desejo da tua boca
dizendo o meu nome, da tua mão conduzindo a minha mão,
Do teu corpo revelando o meu corpo como se o mundo fosse e existisse
pela primeira vez.”
“Amália quis Deus que fosse o meu nome”
Amália
quis Deus que fosse o meu nome
Amália
acho-lhe um jeito engraçado
bem nosso e popular
quando oiço alguém gritar
Amália
canta-me o fado
Amália
esta palavra ensinou-me
Amália
tu tens na vida que amar
são ordens do Senhor
Amália sem amor
não liga, tens de gostar
e como até morrer
amar é padecer
Amália chora a cantar!
Amália
disse-me alguém com ternura
Amália
da mais bonita maneira
e eu toda coração
julguei ouvir então
Amália p'la vez primeira
Amália
andas agora à procura
Amália
daquele amor mas sem fé
alguém já mo tirou
alguém o encontrou
na rua com a outra ao pé
e a quem lhe fala em mim
já só responde assim
Amália? não sei quem é!
José Galhardo / Frederico Valério
sábado, 17 de março de 2012
“Dizer que em tudo escuto a tua voz”
CHAMAR-TE MEU AMOR
Dizer que tudo em ti é movimento
e que há corças nas selvas em redor
do amor que às vezes faço em pensamento
ou do que eu penso quando faço amor.
Dizer que em tudo escuto a tua voz
no mar no vento na boca das searas
o maior amor do mundo somos nós
cobrindo a solidão de pedras raras.
Dizer tudo o que eu digo nunca basta
pois para ti não chegam as palavras
meu amor é uma expressão que já está gasta
mas tem sempre um aroma de ervas bravas.
É por ti tudo o que faço e digo e chamo
por ti eu tudo invento e tudo esqueço
dou tudo o que há em mim quando te amo
mas nem sei meu amor se te conheço.
(Letra: Joaquim Pessoa)
Arranjo: Pedro Osório)
Tenho sede de fazer amor contigo…
Há um pássaro que voa
Sobre as janelas do dia
Fugiu do meu peito
Poisou no meu leito
E fez
Um ninho de alegria.
Alegria que nasceu
De uma rosa quase pura
Meu amor dormindo
Nesta noite abrindo
Em flor
A minha ternura.
Tenho sede de viver
Tenho a vida à minha espera
Sou uma rosa a crescer
No azul da primavera.
Tenho sede de viver
De fazer amor contigo
Quantas vezes eu quiser
Amante, amor e amigo.
Há palavras que regressam
Como um beijo à minha boca
Para possuir-te
Para pertencer-te
A noite
Será sempre pouca.
(Letra: Joaquim Pessoa)
(Música: Tozé Brito)
Tiago Bettencourt & Mantha
Se cuidas de mim
Se cuidas de mim eu…
eu cuido de ti também
Dentro da minha mão
eu guardo-te bem
Se amarmos do principio
se perdermos tudo outra vez
vou marcar-te bem
como um sonho vão
dentro da minha mão
Se cuidas de mim
eu cuido de ti também
Se vens em paz
eu venho por bem
Se formos bebendo o chão deste caminho
vou guardar-te bem
agora que sei
que não vou sozinho.
por isso vem…
Há uma praia depois sombra
uma clareira para iluminar
Há um abrigo no meio das ondas
tudo é caminho para iluminar
Por isso vem.
Tiago Bettencour
DANÇA em VERSOS...
Dizem que dançar é uma manifestação do corpo;
Ou ainda que é manifestação da alma...
Forma de expressão dos sentimentos...
Mas pode ser a poesia nas mãos do poeta.
Tanto faz que manifestação essa arte seja,
O importante é permitir-se, dançar, dançar até o topo...
Sabendo que dali não mais importa quem o veja!
Sentindo-se tão importante quanto o outro.
Dançar é como deixar a música, a poesia, tornarem-se uma nova canção,
Onde os versos insinuam, anunciam outra dimensão...
Sem temer que dançar, voar, poetizar ... confundam qualquer razão,
Pois serão fundidos numa só palavra... Que não outra, senão : PAIXÃO!
Nesse instante tão sublime, pode nascer um novo amor,
E por mais que o poeta lute ...por temer, sofrer ou causar dor...
Ele sabe que no bailar de seus versos, suas palavras tomarão cor...
Trazendo muita alegria a todo aquele que à poesia dá valor!
Assim, todo poeta aceita bailar, dançar e com seus versos encantar...
Criando, dançando,poetizando sem parar
Nessa sua canção vai se libertando...
Em sua criação vai subindo e cada vez mais flutuando no ar.
Como um sorriso sai em busca de abrigo,
Pés se posicionam apenas conduzindo...
Para que casais possam simplesmente bailar...
O poeta posiciona-se para sua poesia criar.
Sentir... conduzir... criar... bailar... AMAR...
Como o suor que numa dança molha e excita,
Versos imaginados são registrados pela escrita...
Como não há forma da dimensão da dança explicar,
Não há sentimento que o poeta não possa expressar.
A poesia como a dança tem seu próprio ritmo... Uma música que entoa...
Voa... para muitos lugares, épocas inimagináveis...
Ar e espírito leves como a pluma, flutuam, viajam, deslizam...
Onde dois tornam-se um... na arte única de AMAR...
Escrever a poesia é como dançar...
Onde o poeta pode ser feiticeiro ou apenas enfeitiçar. (L.M.T)
Imagem de Kelvin Lei
Pintura de Lyubomir Kolarov
Vigorosa e expressiva técnica presente na pintura de Lyubomir Kolarov.
Kolarov vive e trabalha em Plovdiv, Bulgária…Fonte
TELA DA ALMA
No meu quarto vazio
Olho a tela em branco
Reflexo da minha alma
Vazia me sinto
Aperto as mãos
Espero um sinal de ti
Para poder pintar a minha alma
Serro os dentes
Olho a tela em branco
E nela imagino cores
Cores que pintarão a tua alma
E ela se fundirá em mim
E ai
Olho novamente a tela
Já tem cor e alma
Estou plena de cores
Não me sinto vazia
Nana Martins
Imagem de Juan Medina
O meu coração tem laços
O meu coração tem laços
Laços entrelaçados
Que não desenlaçam
Queria eu desenlaçar
Para ele poder voar
Junto dos teus laços
Nana Martins
Imagem de Hélène Béland
sexta-feira, 16 de março de 2012
Sempre que te ouço
Sempre que te ouço,
Meu coração pula,
Sempre que te vejo,
Minha alma renasce,
Posso até viver,
Mil anos luz,
Mas meu bem,
Só tu ês a minha vida.
Ês o meu prazer,
Ês quem me dá esperança,
Ês a minha aliança,
Ês quem me conduz e me faz criança.
Amo-te minha princesa,
Estejas ao meu lado,
ou a grande distância,
Espero por ti, mesmo nesta ancia.
Cristina Melim
Imagem de DI VOGO
Fios de prata em seda
Fios de prata em seda
Bordei os contornos do teu corpo
Num tecido de seda
Com fios de prata
... Curiosas espreitavam as estrelas
E a lua, envergonhada
Escondeu-se entre as nuvens.
(…)
Corpo musculado
Pele morena
Nádegas rijas
Assim te bordei
O suor que escorria no teu rosto
Brilhava com o sol.
Desejei mergulhar em cada gota
E sorver o teu ser
Saciar a minha gula!
(…)
Beijei-te másculo mar de desejos
Senti o meu ventre a fervilhar
O meu bordado ganhou vida
E eu a vibrar…
(…)
Guardei o dedal
Embarquei na magia de seda
Tecida
Sou tecedeira de sonhos, sei sonhar
Não acordo, embalo nesta satisfação e sinto-me feliz…
Dobro o pano, acaba o sonho
Resta o sorriso de satisfação.
Talvez volte a bordar em seda, com fios de prata
Ou talvez não
Mas hoje sorrio, embalada pelas estrelas curiosas
Sentada na lua envergonhada…
Céu Cruz
Imagem de Sergey Ignatenko
quarta-feira, 14 de março de 2012
EU SEI AQUILO QUE SOU
Eu sei aquilo que sou
Sou tudo e não sou nada
Grão de areia na imensidão do deserto
Fio de água no imenso oceano
Conheço os limites que me agridem
Guerreira nas batalhas impossíveis
Lutadora dos ideais que existem
No meu “eu” que muitos desconhecem…
Eu sei aquilo que sou
Dançarina no palco do pensamento
Fiel ao amor que me alimenta
Vencedora e também vencida
Corajosa no assumir do sentimento
Rude e intempestiva na injustiça
Crente na pureza da vida
Abominando a cobardia…
Eu sei aquilo que sou
Um átomo que se activou
Da célula equilibrada que dá vida
A lava derramada pelo vulcão
Que aquecia esta terra perdida
Vim efectuar uma arrojada missão
Que irá serenamente ser cumprida
Nesta passagem que não é mais que uma ilusão…
Ana Gonçalves
Imagem de Brenda Burke
terça-feira, 13 de março de 2012
DE VOLTA PRA MIM...
Não vale apena esperar chegar ao topo pra enxergar as belezas do universo
Decidi escalar a montanha em espiral
Assim não perco os encantos e as surpresas de cada caminho
Quero a brise suave soprando no rosto
Quero retirar nem que seja dos escombros um novo sonho ou lapidar aquele que ainda estava lá
Quero ser música...
As sete notas musicais não emitem sons se não tirarmos delas um acorde
Eu quero me olhar no espelho e me ver inteira
Eu quero ver menina
Eu quero me ver mulher
Eu quero me ver guerreira como sempre fui
Hoje enquanto tomava banho no horário do almoço, imaginei a diferença entre uma flor e uma pedra
Um flor é efêmera
Uma pedra pode durar milhões de anos
Uma flor precisa de cuidados, de água, sol, adubo, carinho...
Uma pedra não precisa de nada pra sobreviver
A pedra é forte mas, poucos param diante dela
A pedra não inspira, embora tenha seu valor indiscutível
E pensando nesses pequenos detalhes
Pensando nos comentários que pessoas tão amadas deixaram aqui
...............................................................
Eu não estou desistindo das minhas metas
Não estou retrocedendo
O momento é cinza
Mas eu quero ser reflexo, se não poder ser estrela
Eu quero caminhar respirando suavemente
Eu quero o encontro do rio com o mar
Eu quero a paz
Eu quero a mim mesma
Eu quero um pedaço de infinito
Eu quero um lugar onde o impossível não existe
Eu quero o meu sorriso mais aberto
Eu quero encontrar a vida de braços alados
Eu quero o meu reencontro comigo
Eu quero silenciar minha voz num grito chamado FELICIDADE!
Mesmo que seja entre pedras e flores...
Tereza Maria Caarneiro
Imagem de Edward John Poynter
SORRISO ENIGMÁRICO
Um sorriso de luar
Que acalma, faz sonhar
Um sorriso enigmático
Envolvente, carismático
Um sorriso tão feliz
Nada fala
Tudo diz
Um sorriso que traduz
Uma centelha de luz
Que converte que conduz
Um sorriso indiscritivel
Indizível
Não pode ser pintado
Não pode ser falado
Cantado ou definido
Apenas pode ser olhado
Sentido, admirado
Num rosto ensolarado
De quem o faz sorrir
Tereza Maria Caarneiro
Imagem de Klaus Klampert
CAMINHANTES NA AREIA
Sonhei que sonhava
Fim de tarde
A lua quase chegando para substituir o sol
O mar calmo
A brisa vesperal quase noturna , desalinhava os cabelos, tocando os rostos...
A roupa branca esvoaçante com a dança do vento
Os ´pés descalços marcavam a areia úmida
O ir e vir das ondas se fazia canção
Batia suave o coração dentro do peito
E um sorriso maroto contornava os lábios
O tempo passava despercebidamente
Era mágico está ali...
Dentro daquele sonho
Do lado esquerdo segurava a mão de alguém que ria comigo
Que falava pouco mas era mais que companhia
Sintia seu cheiro e a suavidade do toque de sua mão
Caminhávamos sem rumo
De nada pra lugar nenhum
Só pelo prazer de caminhar
Respirava fundo, enchendo o pulmão de ar e o coração de paz
Sem pensar no valor do dólar
Nas guerras do Oriente Médio
Nem em nada que acontecia fora daquele cenário
Já se fazia noite
E uma lua prata se misturava ao mar
Refletia-se em fios de cabelos negros de alguém
Cujo rosto não sei descrever...
Tereza Maria Caarneiro
Imagem de Zhong Yang Huang