sábado, 3 de novembro de 2012

Ale amada

Arunas Rutkus -1 

Ale amada,

Não é porque eu fui enganado que não acreditarei mais no amor.

Não é porque alguém foi interesseiro e quis me usar que devo renunciar minha ingenuidade.

Não é porque tentaram me destruir que perderei a suavidade.

Não serão o ódio ou rancor que me farão abandonar a gentileza.

Ale, você não merece me receber pela metade. Não merece pagar os danos que outra causou.

O ceticismo não vai me contagiar. Suspeita não é inteligência, prevenção não é sabedoria.

Não irei desconfiar de você por lealdade ao passado. Traio o passado para ser fiel às nossas palavras.

Nenhuma experiência me ensinou a ser você antes. Estou sendo você agora.

Tangerina. Tangerino.

Não lhe dou chance, dou a minha vida. Chances são esmolas da memória.

Fabrício Carpinejar

Imagem de Arunas Rutkus

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira. Pablo Neruda

 

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda