quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

“Alguém me gritava Com voz de profeta Que o caminho se faz Entre o alvo e a seta”

Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a ursa maior eram ferros acesos
Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos
Em sonhos gigantes
E a cidade vazia
Da cor do asfalto
E alguém me pedia que cantasse mais alto

Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e´ a estrada

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam
Em que homens negavam
O que outros erguiam
E eu bebia da vida em goles pequenos
Tropeçava no riso, abraçava venenos
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta

Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e a estrada

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e a estrada

Pedro Abrunhosa

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Possessividades

Soletro o teu nome
devagarinho
como se de uma reza se tratasse
como se a fragilidade de que o revisto
fosse em mim a força do amor.
Digo-te em sílabas
espaçadas
impregnadas dos dias em que te leio
e das noites em que irremediavelmente te espero.
Há dentro de mim um rio
que inunda as margens e me transborda.
E enquanto te digo letra a letra
o teu nome é meu mesmo que o teu corpo não seja
mesmo que nós não sejamos donos de nada.

Margarida Piloto Garcia

O canto dos pássaros ecoa, neste silêncio que quero só meu. Cecília Vilas Boas

Eco copy

Pam Hawkes

Tua ausência cala o mundo,

o mar, os ventos.

Tua ausência desaba

silenciosamente

sobre os meus dias, soterrando

meu outono…

ela magoa demais o meu sossego.

(Tua ausência é essa substância densa)

Tua ausência é tão presente que é pessoa…

E me abraça.

Marla de Queiroz

Imagem de Pam Hawkes 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Bryan Larsen

O meu coração é uma folha de papel
com retas e curvas e espirais
de lírios carnais.
Neles repousam os beijos de borboletas
com desejos de asas incansáveis,
sonhos infindáveis.
E entre o traço do voo e o sorriso da flor,
o céu de um peito vibra no ar
do poema amar.
Angela Lopes

Imagem de Bryan Larsen

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Richard S. Johnson

Deixa-me amar-te em meus silêncios

Na calmaria do teu coração que me acolhe

E de onde se desprendem meus sonhos

Em vôos etéreos de plena liberdade

Deixa-me amar-te em minha solidão

Ainda que meus labirintos te confundam

E que teus fios generosos de compreensão

Emaranhem-se no tapete dos meus enigmas

Deixa-me amar-te sem qualquer explicação

Na ternura das tuas mãos que me sorriem

Escrevendo desejos em versos despidos

Na minha alva tez que te cobre e descobre

Deixa-me amar-te em meus segredos

Para que desvendes o que também desconheço

A alma dos meus abismos onde anoiteço

E meus olhos adormecem embalados pelo mistério

Deixa-me amar-te em tuas demoras, longas horas

Em que meu corpo se veste de céu à tua espera

E minhas mãos em frenesim acendem estrelas

Para alumiar-te, ainda que ausente estejas…

Fernanda Guimarães

Imagem de Richard S. Johnson

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Murmúrios...

Já te li!
Entre a sombra das árvores
que avisto da
minha janela,
e em teus murmúrios...
Só silêncio sinto, no respirar de mim!
Gabriela Vitória

Murmúrios