domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Sou tantas
Sou tantas
quando estou
na pele nua
sou tua
A mais entregue
enamorada
de alma pura
me transporto ao etéreo
e me deito
enfeitiçada
Consumado o fato
tato, olfato,
visão de amor
e mais nada
e na travessia de amar
sou encantada
Entre pernas, braços
e carícias tuas
na emoção
sou provocada
Sou mulher
enveredada
por caminhos
de teu corpo
em sobrevoos
sou fêmea alada
Me transporto com
tua língua, molhando as
flores em minhas costas
desenhadas
Em teus olhos
vejo os meus
sou lua renovada
pele a pele
carne a carne
por espaços
fecundada
entre palavras soltas
e a madrugada
Vivo os instantes
e versejamos
quase nada
E nessas horas
não sou poeta
sou profana
e na tua cama
a mais amada…
Adriane Lima
Imagem de Marci Mcdonald
As minhas livres palavras...
Palavras que são alegria
Dentro do meu dia
que são musicais
Feitas de canção
Palavras que são toques
que são fortes
que são corpo
que tem alma e coração
Palavras que me trazem
você para perto
teu jeito incerto
Mas, põe um sorriso
em minhas manhãs
Palavras que são carinhos
feito libertação
Toques de mansinho
Dentro de minha solidão
Paravras que são abstratas
Que são coloridas ou
Pretas igual nanquim
Que voam feito borboletas
Leves e livres em meu jardim
Palavras que são lavras
Chagas abertas na palma da mão
que são fardos,pecados
que são avessos
Adornadas de ouro e purificação
Palavras que são fatais
Que são carnais
Feitas de medo e segredos
De minha espera
em vão
Palavras soltas
Entre meu calendário
Secreto diário
inicio ,meio e fim...
Palavras covardes
Bem mais que metade
que cabem em mim
Palavras sistemas
bem mais que poemas
Palavras que são elos
Boleros que tocarão
enfim...
Adriane Lima
Imagem de Valeriy Kot
O melhor do Amor
Eu que me achava tão dona do meus sentimentos,dizia : apaguei sim, qualquer vestígio que viesse de você.
Guardei os discos,os livros, as flores secas no interior de cadernos e todos ingressos por onde andamos juntos.
Achei que assim poderia apagar marcas, apagar as lembranças do que chamamos amor.
Eu lembro como se fosse hoje o dia que jurei nunca mais deixar meus olhos se "marearem " ao pensar em você.
De tua voz me desliguei,de teu cheiro me lavei...
Que idéia mais infantil essa minha,de amor contado e objeto guardado dentro de nós.
Amor não se mensura,não se apaga,não se afoga em mágoas ou em gestos de bravura.
O amor que nos demos valerá para vida toda,passagem para eternidade de um princípio sem fim.
Ele enriqueceu e nos amaldiçoou,fui dona da maior das posses em vida.
O teu amor!!!
E hoje vejo que era mesmo amor, ele me enaltece até hoje,quando esqueço as amarguras,não me refiro as armadilhas do que pensei ser desamor.
Amor não é prêmio, amor, não é mérito, amor é viver e morrer dos fios que ele teceu.
Dos rastros que ele deixou,da saliva que marcou,os gostos dos beijos trocados,a beleza que iluminou pelo tempo que durou.
Sábio poeta que dizia :"que seja eterno enquanto dure" e o nosso foi.
Hoje me envaideço por entender que era, é ...e será amor...
Não o prêmio perdido ou ganho,mas a vivência concreta de tudo que nos marcou.
E nesse tempo sem te ver,fiz pedidos silênciosos para que a vida cuidadesse de você.
Para que você de mim só guardasse o que de melhor pude te fazer.
Hoje mais madura,vejo com os olhos do coração,sem remorsos ou dores, pode até ser uma analogia infantil,mas meu coração olha por você.
Mesmo longe de sua vida eu pensava,será que ele está feliz, será que dá ainda aquelas gargalhadas altas que dava quando estava comigo e faz alguém sorrir assim também?
Claro que sim, o amor que veio para mim irá ser colocado no caminho de quem souber fazer o que eu não pude.
Mas desejo que a vida te cuide e que possamos sempre viver o amor.
Claro, que hoje um amor diferente,de carinho e compreensão, da busca da felicidade do outro como humano e não como objeto de desejo e paixão.
Amor é mérito, é humano,é desumano mas, quando há amor,há de haver sonhos.
O amor faz silêncio interno,para criarmos a cura em palavras!!!!
Adriane Lima
Imagem de Kay Boyce
Minhas tardes Azuis....
Queria me ver numa
tela pintada
vestida de azul
andando na beira da estrada
orvalho molhando cabelos
silêncio invernal de palavras
Eu,em meio ao nada
de costas na tela e na estrada
ouvindo sonoras corujas
entre arbustos negros
dessa floresta
por mim
pincelada
Tomando minhas rédeas
de tempo e tempestades
pondo cores de
um fim de tarde
igual a vida faz
Novas paisagens
novas vertigens
cabelos ao vento
soltos e displicentes
Eu,estrada,tempo
movimento...
quase on the road
quase on the rock...
Pedras no caminhos
tomariam o espaço
escorregadio feito
um corrimão
bem traçado...
E eu ali
fazendo parte da
história
sendo a dona
de minha liberdade
leve feito um filme de
sessão da tarde...
Adriane Lima
Imagem de Brodetsky Dmitry
Orgia de palavras
Tem noites que eu não durmo nada
a poesia louca me acorda
em plena madrugada
quer fazer amor comigo,
e eu doida aceito
me solto,me envolvo,
me perco entre suas doces palavras
e em rimas dou risadas,
sinto arrepios,saio do chão
sensação de liberdade,
perversidade de brincar com as palavras
plena madrugada,acabar com o silêncio
que estava no quarto
e nesse ato,me engrandeço,
me envaideço de ser a escolhida por ela
eu e a poesia:amantes, loucas,
gozamos juntas o mel das rimas e
versos soltos no ar
è quase um escárnio,
me vem com força, inevitável...
quando ela me convida, tão instigante,
não sei negar
E para ela sou livre,disposta a me dar a qualquer hora ou lugar
com ela faço filhos são as palavras,as palavrinhas e os palavrões...
Adriane Lima
Imagem de Carrie Vielle