terça-feira, 6 de janeiro de 2015

https://www.youtube.com/watch?v=vOOcDxZpWr4

Diário

«Dizem que a banheira do rei Tching-thang tinha gravado caracteres que diziam:
"Renova-te completamente todos os dias; fá-lo uma e outra vez e sempre."
Consigo compreender isto.
(...) Devemos aprender a "re-acordar'" e a manter-nos acordados, não mecanicamente mas por uma infinita expectativa da manhã que não nos esquece mesmo no nosso sono mais profundo.
Não conheço facto mais encorajador que a inquestionável capacidade que o homem tem de elevar a sua vida através dum esforço consciente.
Uma coisa é pintar uma pintura ou esculpir uma escultura, e fazer assim alguns objectos belos; mas muito mais glorioso é esculpir e pintar a própria atmosfera e meio pelo qual olhamos, o que moralmente podemos fazer. Afectar a qualidade do dia, essa é a maior das artes.
Todo o homem tem a tarefa de fazer a sua vida, até nos pequenos detalhes, merecedora da contemplação da sua hora mais crítica e elevada.»

Henry David Thoreau

«Na sociedade exposta, cada sujeito se torna o seu próprio objecto de publicidade. O seu valor de exposição é a medida de tudo. A sociedade exposta é uma sociedade pornográfica. Tudo é voltado para fora, descoberto, despojado, despido e exposto. O excesso de exposição faz de tudo uma mercadoria , na qual tudo é “entregue nu, sem segredo, à devoração imediata”. A economia capitalista submete tudo à coacção da exposição. Só a encenação expositiva gera valor, renuncia-se a toda a peculiaridade das coisas. Estas não desaparecem na obscuridade, antes no excesso de iluminação.»

Byung-Chul Han, “A Sociedade da Transparência”, Relógio d’Água, 2014

"Nada podes escrever sobre ti que seja mais verdadeiro do que tu próprio és: eis a diferença entre escrever sobre ti próprio e escrever sobre objectos externos. Cada um escreve sobre si próprio de acordo com a altura a que se encontra. Não te encontras sobre umas andas ou numa escada, mas sobre os teus pés descalços."

Ludwig Wittgenstein in "Cultura e Valor", Edições 70.

Furacão

«A verdade é que as nossas sociedades ocidentais estão a viver uma silenciosa mudança de paradigma: o excesso (de emoções, de informação, de expectativas, de solicitações...) está a atropelar a pessoa humana e a empurrá-la para um estado de fadiga, de onde é cada vez mais difícil retornar. O risco é o aprisionamento permanente nesse cansaço, como explicava profeticamente Fernando Pessoa: "Estou cansado, é claro, porque, a certa altura, a gente tem de estar cansado. De que estou cansado não sei: de nada me serviria sabê-lo, pois o cansaço fica na mesma. (...) "Não sei sentir, não sei ser humano", escrevia ainda Fernando Pessoa. E continuava: "Senti de mais para poder continuar a sentir." De facto, o excesso de estimulação sensorial em que estamos mergulhados tem um efeito contrário. Não amplia a nossa capacidade de sentir, mas contamina-a com uma irremediável atrofia. "Ah, se ao menos eu pudesse sentir!," é a proposição do desespero contemporâneo, que advém depois de se ter experimentado tudo, em vertigem e convulsão.»

José Tolentino Mendonça, "A Mística do Instante", 2014

Nem sempre o silêncio nos dá sossego…Cecília Vilas Boas

Siêncios

Quando te encontrei nos gestos…GV

https://www.youtube.com/watch?v=KmovpX2VdT4&feature=youtu.be