vou buscar-te ao fim da tarde,
porque a noite só escurece contigo ao
meu lado, porque a noite aprende por ti
o caminho aberto das estrelas
vou buscar-te ao fim da tarde,
e verás como preparei a casa, como
escolhi a música, como, enfim, espalhei
os objectos mais impressionados contigo,
os que ganharam vida por se interporem
...
na espessura estreita que vai do meu
ao teu coração
e não mais te devolvo, correndo todos os
riscos de não amanhecer nunca
numa loucura propositada por ti
não mais te devolvo,
ocuparás o mundo debaixo e sobre mim,
e não haverá mais mundo sem que seja assim
Valter hugo mãe, in "Pornografia Erudita"
Imagem de Adriane Strampp
Agora neste momento
Em que estou a escrever
Estás no meu pensamento
Tu até podes não saber
E num sorriso recordo
O teu rosto sorridente
Imagino-me a beijá-los
A beijá-los eternamente
Imagino os nossos segredos
Que não iremos revelar
Imagino os meus dedos
Pelo teu corpo a passar
A falar-te muito baixinho
E no teu ouvido a sussurrar
Enquanto te dou carinho
Imagino o teu doce olhar
Abraço-te com toda a força
Pego-te na tua mão suavemente
Para sentires o meu amor
Massajo-a suavemente
Afago-te todo o rosto
Também muito o cabelo
Tudo eu estou a imaginar
Não sei como irei descrevê-lo
Imagino-te neste momento
E sinto um forte desejo
De te abraçar-te com força
Beijar-te eternamente
António Candeias
Imagem de Eddie Steven
Vou tratar do teu lindo jardim
Serei o teu jardineiro meu amor
Vou tratar dos teus canteiros
Com toda a dedicação e amor
Plantarei a flores mais lindas
Que no mundo possa encontrar
Plantarei rosas, cravos e jasmins
Para o teu corpo perfumar
Vou ser o teu jardineiro
Que o teu jardim tratarei
Com muito carinho e amor
Como a ti sempre amarei
Irei renová-lo por completo
Novas áleas iraram eu alargar
Para pudermos passear
Eu a ti sempre abraçar
Que encanto de jardim
Que irei sempre bem tratar
Com as flores mais lindas
Para o teu corpo perfumar
Um jardineiro como eu
Não vais tu nunca encontrar
Como trato com amor o teu jardim
O teu coração também vou tratar
Ainda não me conheces bem
Não sabes o jardineiro que sou
Vou dele fazer um belo jardim
Amar-te como ninguém te amou
Vou tratar do teu belo jardim
Serei o teu jardineiro com dedicação
Tratarei com carinho o jardim
Como tratarei do teu coração
António Candeias
Imagem de Heide PRESSE
Eu só preciso de um minuto contigo,
Para concretizar o que sinto...
Eu só preciso de um abraço teu,
Para me aquecer no teu corpo...
Eu só preciso de um toque teu,
Para poder sentir a sensibilidade das tuas mãos...
Eu só preciso de um beijo,
Para poder entrelaçar contigo a minha alma...
Eu só preciso de ti,
Para que a minha vida possa ser completa...
Eu só preciso do teu coração,
Para que ele seja a parte que falta no meu...
Eu só preciso dos teus pensamentos e sentimentos,
Para que juntos ao meu possam estar rumo à realização...
Eu só preciso dos teus medos,
Para que juntos aos meus possam vencer todos os obstáculos...
Afinal eu preciso de tudo em ti...
Porque tudo em ti é exactamente o que falta em mim...
Mico
Imagem de BernardoTorrens
Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo
E de repente eu me vi assim completamente seu
Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não há caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar
Quando a canção se fez mais clara e mais sentida
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
Você veio me falar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa
Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre
Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz
Peninha
Quantas voltas dá
A tua mão
Para desenhar um ponto?
Quantas ideias atravessam
A tua mente
Enquanto o escreves?
Observo vezes sem conta
Tua mão deixar o papel tonto,
A contar e desenhar
Imagens
Que só com letras descreves.
Gosto dessa tua maneira
De dizer,
Os lábios cerrados,
O que observas
Ou adivinhas,
O que imaginas.
Teus gestos apressados,
Movimentos acelerados,
Para nada esquecer
Das ideias que disseminas.
É essa capacidade
De descrever,
De contar,
Que faz de ti o que és,
Que faz das letras
Arte
Que se lê e se aprecia,
Que se admira.
É talento.
Dulce Morais
Imagem de Carrie Vielle
Vem devagar
Na espuma das marés
E descobre que o melhor de mim
É mais do que aqui vês
Vem muito devagar
Desvendar a nudez
Sons de mar, ressonãncias
De música nas mãos e sal nos pés
Búzio que contém
A canção
dos ventos
O ventre do poema, enrolar da vaga
A memória da areia que me afaga
E se estenderes a mão
Talvez
possas tocar, digo talvez
O coração azul cobalto aladamente
O nó que enreda o sonho e tu não vês.
Rosa Lobato de Faria - Ricardo J. Dias
É vulgar as pessoas não prestarem atenção à chuva no inverno, ao calor no verão, às andorinhas na primavera, às árvores despidas no outono, ao pinheiro no natal, à neve na montanha, ao luar na noite, e do mesmo modo às palavras que o poeta infatigavelmente proferia todas as manhãs, porque tudo aquilo que é natural as pessoas tendem a desprezar sem sequer reflectir; apartando-se assim da vida, da felicidade, e enfim descobrindo a mera sobrevivência e a mediocridade.
Um dia isso mudo
Diogo Da Costa Ferreira
Imagem de Claude Theberge
Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto
É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Par
a que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada."
Carlos Drummond de Andrade
Imagem de Evgeny Mukovnin
Povoa-me no outono!!
habita-me
Na primavera!!
Invade-me no momento em que pensas em mim.
Gabriela Vitória
Imagem de Alexandra Nedzvetskaya
Eu não vou negar..que sou louco por você
Estou maluco pra lhe ver...Eu não Vou negar...
Eu não vou negar sem você tudo é saudade
você traz felicidade..Eu não Vou negar..
Eu não vou negar..você é meu doce mel..
meu pedacinho de céu..
eu não vou negar!!
Você é minha doce amada..Minha alegria!
meu conto de fada..minha fantasia..!
a paz que eu preciso para sobreviver.,.
eu sou o seu apaixonado de alma transparente..
louco alucinado..meio inconsequente
um caso complicado de se entender..
É o Amor...que mexe com minha cabeça e me deixa assim..
que faz eu pensar em você e esquecer de mim
que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver..
É o amor..que veio como um tiro certo no meu coração
e derrubou a base forte da minha Paixão
e fez eu entender que a vida é nada..sem você..
Eu não vou negar..você é meu doce mel..
meu pedacinho de céu..
eu não vou negar!!
Você é minha doce amada..Minha alegria!
meu conto de fada..minha fantasia..!
a paz que eu preciso para sobreviver.,.
eu sou o seu apaixonado de alma transparente..
louco alucinado..meio inconsequente
um caso complicado de se entender..
É o Amor...que mexe com minha cabeça e me Deixa assim..
que faz eu pensar em você e esquecer de mim
que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver..
É o amor..que veio com um tiro certo no meu coração
e derrubou a base forte da minha Paixão
e me fez entender que a vida é nada..sem você..
Zezé Di Camargo / Carlos Cezar
"A beleza em cada ser é uma alegria eterna:
o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder
no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio
de paz, onde adormeceremos, habitados por sonhos
suaves, uma íntima plenitude, uma respiração branda.
Comecemos, assim, a tecer em cada manhã
uma grinalda de flores para nos unirmos à terra,
apesar do desalento, da aus...ência daqueles
cuja nobreza amávamos, dos dias cheios de escuridão,
de todos os caminhos insalubres e misteriosos,
abertos para os nossos anseios; sim, apesar de tudo,
uma forma de beleza afasta o sudário
das nossas almas sombrias. Assim é o sol, a lua,
as antigas ou novas árvores cuja bênção faz germinar
a sombra sobre os humildes rebanhos; os narcisos
e o mundo verdejante que os cerca; e os límpidos rios
que para si criam um dossel de frescura
durante as estações ardentes; os silvados do bosque
enriquecidos pelo belo, nascente esplendor das rosas;
e, também, a magnificência do destino
que imaginamos para os mortos poderosos;
e as histórias encantadoras que lemos ou escutamos:
fonte inesgotável duma imortal bebida,
que vem do limiar do céu e para nós se derrama.
E não é apenas durante algumas horas breves
que ficamos presos a estas essências; assim como as árvores
murmurando à volta dum templo logo se tornam
tão amadas como o próprio templo, também a lua
e a paixão da poesia, glórias infinitas, tantas vezes
nos assombram, até serem uma luz vivificadora
para a alma, e tão estreitamente nos cingem
que, fique a brilhar o sol ou se apaguem os céus,
para sempre hão-de existir em nós, ou morreremos."
John Keats, in "Poesia Romântica Inglesa", Relógio D'Água, 1992 (trad. Fernando Guimarães)
Eu quero se possuída por você
pelo seu corpo
pela sua proteção
pelo seu sangue
me ama
eu quero que você me ame
e fique eternamente me amando
dentro de mim
com sua carne e seu amor
eternamente infinitamente
dentro de mim
me envolvendo me decifrando
me consumindo me revelando
como numa tarde dentro do elevador
no verão voltando da praia
e você me abraçou
e eu te abracei
e quanto mais eu me entregava
mais nascia meu desejo
mais sobrava só o desejo
e mais eu te queria sem palavras
sem pensamentos
a vida inteira resumida só no desejo
da tua boca dizendo o meu nome
da tua mão conduzindo a minha mão
do teu corpo revelando o meu corpo
como se o mundo fosse
pela primeira vez
José Vicente
Ainda ficou um pouco
de teu cabelo no travesseiro
de teu corpo no meu corpo
de teu cheiro
um pouco da tua colônia
em alguns vestidos meus
ficou no meu cotidiano
um gosto bobo de adeus.
Ficou um resto de shampoo
no teu frasco no banheiro
de tudo ficou um pouco
de teu jeito, de teu cheiro.
Ficaram umas coisas tuas
espalhadas pelo quarto.
Ficou teu riso marcado
na moldura no retrato.
Em tudo ficou um pouco.
Ficou nosso jogo de damas
(eu branco, você preto)
intacto no sofá-cama.
Alguns discos teus, alguns livros
na parede atrás da porta
a gravura de Dalí
e tua natureza morta.
Um pouco de teu silêncio
se espalhou pela casa
tua xícara de porcelana
verde e branca, sem a asa.
De você ficou um pouco
do trem daquela viagem
do nosso jantar chinês
da nossa camaradagem.
Ainda ficou tua letra
em alguns papéis amassados.
Em tudo ficou um pouco
na rua, no supermencado.
Ficou um pouco de você
no mar, no rio, na serra
na estrada da casa de campo
na pedra, no gato, na terra.
Ficou um pouco do teu rosto
no rosto dos meus amigos
ficaram palavras tuas
em tudo aquilo que digo.
Eu fiquei com o teu jeito
de querer falar primeiro
teu corpo no meu corpo
cabelo no travesseiro.
Bruna Lombardi
Imagem de Kay Boyce
Alguém pode me dizer
se estava prevista na palma da minha mão
esta paixão inesperada
se estava já escrita e demarcada
na linha da minha vida
se fazia já parte da estrada
e tinha que ser vivida
ou foi um desgoverno repentino
que surpreendeu os deuses, todos
os que desenham o nosso destino
ou foi um desatino, uma loucura
uma imprevisível subversão
que só a patir de agora eu trago marcada
na palma da minha mão"
Bruna Lombardi
Imagem de ohnny Palacios Hidalgo
Fazer amor contigo
não é espelhar teu corpo nu
no vítreo do meu espaço
não é sentir-me possuída
ou possuir-te
É ir buscar-te
ao abismo de milênios de existência
e trazer-te livre
Manuela Amaral
Imagem de Johnny Palacios Hidalgo
Percorro a calçada fria da cidade. As ruas alinhadas, as esquinas da espera.
Revejo-me em olhares, em gestos, em sons.
Perco-me nas gargalhadas que oiço, nos sussurros que sonho. Imagino serem aquelas as minhas mãos, ser meu o corpo que abraça.
Oiço o apelo da cidade e deixo-me ir. Há muito que a amo, há muito que a sinto em mim.
Nas janelas, as gotas da chuva demoram-se chamando para o interior quem nelas se reflete. Cá fora cruzam-se vidas em busca de um reflexo…
O relógio marca um tempo já longo e o frio anuncia o chegar da noite. A cidade veste-se de inverno, veste-se de esperança. Em cada esquina partilham-se vidas. Partilham-se sonhos.
Tinhas saudades tuas. Saudades de me perder em ti. Gosto de voltar e saber que manténs o sorriso, que nada mudou entre nós…
Minha Estrela
Anne Teresa, Baroness De Keersmaeker (born 1960 in Mechelen, Belgium, grew up in Wemmel) is one of the most prominent choreographers in contemporary dance. The dance company constructed around her, Rosas, was in residence at La Monnaie in Brussels from 1992 to 2007. Fonte:
As gotas de água salgada escorriam pelo teu rosto. Começando na testa e descendo, lentamente, como que a beijar cada curva, cada saliência dessa face bonita, tranquila...
Dos teus olhos explodiam brilhos de desejo. Como eu nunca tinha visto.
Mais do que todas as outras vezes... Muito mais!
Tinhas o cabelo molhado. Diria que chegavas de uma longa caminhada à chuva.
Mas não, estiveste sempre ali do meu lado.
Eu, tu e uma lua magnifica que iluminava os nossos corpos.
Todos os teus poros transpiravam suor, paixão, loucura e fundiam-se com os meus que clamavam incessantemente por ti.
Fomos uma só, de novo.
Experimentámos, sem tabus, o desejo intenso que guardamos dentro de nós...como um segredo irrevelável, proibido, que se mostra sempre que o destino nos confronta.
Nem sei quanto tempo assim estivemos, juntas, à luz da Lua... Mas lembro-me de sentir a tua pele macia... lembro-me de ouvi-la respirar... transpirar. Lembro-me do cheiro intenso- do nosso cheiro.
Do teu odor que levei comigo, assim como de mim levaste os aromas, os sons, os olhares.
Memórias de um momento de fusão... um momento de corpos suados, molhados...
que se despediram de novo ...talvez, até à próxima Lua Cheia.
Minha Estrela
Imagem de Marco Rubiero
Queria contar ao vento o que sinto, mas não sei como descrever...só sei sentir. Sou assim um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário, teria muito para contar, mas prefiro guardá-lo no pensamento... reservada, invertida, amiga de quem me acompanha e me mima...incapaz de trair uma amizade verdadeira...encontro na música um porto de abrigo...gosto de mim como sou, aprendi ao longo desta caminhada a encontrar-me e a lutar pelo que gosto e de quem gosto...meiga, interessada em tudo o que me fascina, adoro o céu estrelado, o pôr do sol e o mar...sou como um peixe que adora água, tenho por signo a tendência de gostar da natureza...e de ser muito ligada às raízes...criativa por signo também, não gosto de rotinas, chateiam-me...tenho necessidade de algo diferente todos os dias...gosto de ser assim, e quem dera que consiga voar cada vez mais alto, para me perder no meio do infinito...
Minha Estrela
Imagem de Steve Hanks