domingo, 26 de fevereiro de 2012

As flores do meu amigo

As flores do meu amigo

Briosas vão no navio

Lá vão as flores

E com elas os meus amores

Foram-se as flores

E com elas os meus amores

As flores do meu amado

Briosas leva-as o vento

Lá vão as flores

E com elas os meus amores

Foram-se as flores

E com elas os meus amores

Briosas vão no navio

Na armada irão seguindo

Lá vão as flores

E com elas os meus amores

Foram-se as flores

E com elas os meus amores

Briosas leva-as o barco

Para lutar no fossado

Lá vão as flores

E com elas os meus amores

Foram-se as flores

E com elas os meus amores

Na armada irão seguindo

Servir meu corpo garrido

Lá vão as flores

E com elas os meus amores

Foram-se as flores

E com elas os meus amores

Para lutar no fossado

Servir meu corpo louvado

Lá vão as flores

E com elas os meus amores

Foram-se as flores

E com elas os meus amores

Natália Correia

“AMORES EU TENHO”

Entre as pétalas das flores…

No frio do inverno…

Nos rios a correr…

Nas pedras a cantar…

No perfume da primavera…

No mar de ondas delirantes…

Entre os meus lenções de linho…

Dentro de mim do meu imaginário….GV

“Amores eu tenho…Amores eu tenho “

De Tarde

 

Thirion Charles Victor

Naquele pique-nique de burguesas,

Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandezas,

Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,

Foste colher, sem imposturas tolas,

A um granzoal azul de grão-de-bico

Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,

Nós acampámos, inda o Sol se via;

E houve talhadas de melão, damascos,

E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda

Dos teus dois seios como duas rolas,

Era o supremo encanto da merenda

O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde

Imagemde Thirion Charles Victor

“Quando se gosta d'alguém”

Quando se gosta d'alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo que é que se sente
Quando se gosta d'alguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos
Quando alguém gosta d'alguém
Anda assim como ando eu
Que não ando nada bem
Com este mal que me deu
Quando se gosta d'alguém
É como estar-se doente
Quanto mais amor se tem
Pior agente se sente
Quando se gosta d'alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto.
AMÁLIA RODRIGUES

Tela de Lima de Freitas

 

Lima de Freitas

Pintor, desenhador e escritor, Lima de Feitas nasceu em Setúbal, em 1927, tendo falecido em Lisboa, em 1998. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Ilustrou mais de uma centena de livros, de que destacamos Dom Quixote, na tradução de Aquilino Ribeiro. Estes desenhos foram recentemente publicados ilustrando a tradução de José Bento, editada pela Relógio d’Água.
É autor de inúmeras obras de arte, incluindo murais de azulejos, dos quais se destacam os 14 painéis destinados à estação ferroviária do Rossio, inspirados em Mitos e Lendas de Lisboa.

Expôs colectivamente desde 1946 e individualmente desde 1950. Escreveu prefácios e publicou diversos textos em catálogos de exposições e em publicações. Recebeu numerosos prémios.
Fonte:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Os versos que te fiz

Luciane Valença

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem para te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim para te oferecer

Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda.

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz

Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

Tela de Luciane Valença

A Defesa do Poeta

Senhores jurados sou um poeta

um multipétalo uivo um defeito

e ando com uma camisa de vento

ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis

de armazenado espanto e por fim

com a paciência dos versos

espero viver dentro de mim.

Sou em código o azul de todos

(curtido couro de cicatrizes)

uma avaria cantante

na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade

o vosso enfarte serei

não há cidade sem o parque

do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes

a prémio minha rara edição

de raptar-me em crianças que salvo

do incêndio da vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho

de em pó volverdes sois os reis

sou um poeta jogo-me aos dados

ganho as paisagens que não vereis.

Senhores heróis até aos dentes

puro exercício de ninguém

minha cobardia é esperar-vos

umas estrofes mais além.

Senhores três quatro cinco e sete

que medo vos pôs por ordem?

que pavor fechou o leque

da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais

a pena na tinta da natureza

não apedrejeis meu pássaro

sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas

apanhadas em delito de perdão

a raiz quadrada da flor

que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência a mesa posta

de um verso onde o possa escrever

Ó subalimentados do sonho!

a poesia é para comer.

Natália Correia

NÃO SEI...

Elizabeth Sonrel

Não sei... se a vida é curta...
Não sei...
Não sei...
se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

Cora Coralina

Imagem de Elizabeth Sonrel

A Admirável Cora Coralina

Cora Carolina

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais),[1] quando já tinha quase 76 anos de idade.[2][3]

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás. Fonte:

Assim eu vejo a vida...

A vida tem duas faces:

Positiva e negativa

O passado foi duro

mas deixou o seu legado

Saber viver é a grande sabedoria

Que eu possa dignificar

Minha condição de mulher,

Aceitar suas limitações

E me fazer pedra de segurança

dos valores que vão desmoronando.

Nasci em tempos rudes

Aceitei contradições

lutas e pedras

como lições de vida

e delas me sirvo

Aprendi a viver.

Cora Coralina

Casa Museu de Cora Carolina

Casa Museu de Cora Coralina

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tenho cartas com asas

Licio Passon -4

Tenho cartas com asas de lugares onde vivi...tenho na memória dos meus olhos fotografias...momentos que só eu sei,plenos de luar...aquela luz onde os poemas que pensei e não disse mas escrevi ao som do mar...tenho guardado na alma o teu olhar.
Tenho na pele tatuada aquela felicidade percorrendo o meu corpo num grito de amor...como uma melodia, violino que me toca sem saber porque chora...tenho as minhas lágrimas escondidas nas ondas da saudade
Chove lá fora...mas na poesia em que te sonho, o sol sorri a toda a hora...
Paula Lourenço OZ

Imagem de Licio Passon

Em asas de prata

Sam Yeates

Desejo... em asas de prata contigo voar...num céu de rosas pousar...tocar as estrelas douradas, o brilho no teu olhar, em Vénus contigo adormecer...ser lua para te amar...o divinal anoitecer

No mistério do silêncio

Oiço a sinfonia do coração que ama

Paula Lourenço OZ

Imagem de Sam Yeates

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Quando as tuas gotas deslizam em mim…aumenta o meu desejo por ti…G V

Almas…

Valeria Corvino-6

Almas que se procuram,Mas nunca se encontram,Cruzam-se no tempo,Flutuam no vento...Perdem-se no momento.Tocam-se na distanciaSentem-se na esperança,Ficam na lembrança.Sentem quando é chegada a hora!Mas vão-se, muitas vezes embora.Procuram-se em cada canto,Choram seu prantoEsperam-se sem demora.Mas o desencontro agora...Faz-se por uma vida afora....Tendo como único elo...O som de cada coração,Que emite ritmada batida...Cuja melodia só é reconhecida...Pelas almas que se reencontramEnlaçando-se numa numa eterna união.(L.M.T)

Imagem de Valeria Corvino

AOS OLHOS DE QUEM ME VÊ...

 

Rob Hefferan - 8

Posso ser tão simples quanto a poesia,

Posso ser dócil e frágil,

Tão fácil me amar...

Mas nem sempre sou compreendida.

Pois há segredos e mistérios refletidos em meu olhar.

Já me perguntaram

Se eu sou um anjo,

Uma fada ou princesa...

Mas de repente e com toda franqueza,

A única coisa que pude responder:

Sou uma mulher comum e que mesmo sem riquezas,

Sou apenas pessoa simples, mas não sou fácil de entender.

No passado fui menina que sonhava e encantava,

No presente sou mulher que luta para os sonhos alcançar...

No futuro quero ser exemplo, equilíbrio, paz e saudade,

Quero ser felicidade, quando de mim você lembrar.

Sei que uns me enxergam como sendo a ‘tão’ perfeita,

Só eu sei o quanto essa perfeição pode ser pesada e suspeita.

Mas de uma coisa sei que posso me orgulhar,

Como uma águia, posso cair mil vezes,

E as mil vezes, das cinzas ressurgirei...

Levantar-me-ei cada vez mais forte,

Pois nem mesmo com a morte dos meus sonhos desistirei.

Sei que posso ser teimosa, polida ou atrevida,

Ansiosa e até pretensiosa ao que agora vou dizer:

Os obstáculos do caminho sei que serão superados,

Pois o nosso destino, por ALGUÉM um dia foi traçado,

Resta-me apenas agora seguir em frente sem esmorecer,

E encontrar o caminho que enfim me leve até VOCÊ! (L.M.T)

Luciene Martins Tanaka

Imagem de Rob Hefferan

 

Que as estrelas que iluminam os teus lábios beijem os meu…GV

domingo, 19 de fevereiro de 2012

SIMPLES ASSIM...

Remzi Taskiran

A mulher pode ser comparada a uma viagem,

Onde há promessa, surpresa e miragem...

Que sem os mapas, manuais ou guias

Como um ser controverso, a mulher já é a via.

Simples assim...

A mulher é viagem ao mundo desconhecido,

Mas também é prosa, verso, rima e poesia

No fundo a mulher é a iniciação do dia,

Mas também é risco, ou a mais pura magia.

Simples assim...

Simples assim entender essa linguagem,

Palavras doces, imagem que anistia.

Com suavidade encanta e enfeitiça...

Cenas ensaiadas, só para ser compreendida.

Simples assim...

A mulher na verdade é pura linguagem

Que é a expressão de todo o seu ‘ser’.

O problema maior é que não há tradução,

Que traduza em palavras o que ela sente no coração!

Simples assim...

Ao dizer ‘sim’, no fundo ela quer ‘não’;

Ao dizer ‘não’, na verdade é um ‘sim’...

Não há estranheza nessa comunicação,

Se seguir apenas o que fala a voz do seu coração.

Simples assim,

Basta apenas tentar,

Compreender e saber ouvir,

Pra depois traduzir o que a mulher quer falar!

Simples assim... (L.M.T)

Imagem de Remzi Taskiran

Enquanto tudo, tudo existir...

FW V1.09

Enquanto tudo, tudo existir...

E a rosa vermelha

for símbolo da paixão.

A rosa branca for pureza

consagrando a união.

Enquanto a lua for mãe e

com a mão o sol sustentar...

Da tristeza alegria

...Emoções neste amor eu irei

despertar.

Enquanto tudo durar!

E o dia nascer reinando surgir...

Deixa que cresça a vontade de amar.

Enquanto no céu uma estrela luzir.

São os meus lábios levando um sorriso

brilhado pra ti.

Enquanto tudo, tudo durar.

Na noite um anjo sem regras surgir...

Sou eu velando teu sono dormir.

E se flores na manhã parecerem faceiras.

De cada pétala já fiz mensageiras.

E se tudo entre nós durar à vida inteira.

A magia prometo não ser passageira.

Enquanto tudo! Tudo durar!

Marisa Torres

Imagem de ANDREI MARKIN

sábado, 18 de fevereiro de 2012

SUAVE SINFONIA

 

Edward John Poynter-4

Sinto um som ...
um som que vem de longe...
suave, puro, apaixonado...
quase um murmúrio
em meus ouvidos...

fecho os olhos
a melodia me invade...
doces notas
em acordes
tocam meu corpo...
posso senti-lo...
vibrante, entregue, lânguido
envolvido num abraço...
minha alma se enleva

num ritmo descompassado...
inevitável a entrega
em tão suaves acordes
me desnudo...
me desfaço...
corpo em sinfonia

em mim se revela
vestido de fantasia

docemente eu sou

Ianê Mello

Imagem de Edward John Poynter

FAZER POESIA O QUE É?

 

Lena Sotskova-

Fazer poesia é sonhar...

Deixar-se levar pelas asas da imaginação,

Escutando a voz do coração,

Buscando o refúgio na inspiração!

Fazer poesia é voltar a ser criança...

Que nada teme, pois tem segurança,

Acredita nos sonhos, pois são a sua verdade...

Não importando sua crença, raça ou idade!

Fazer poesia é sorrir sem ter sentido,

Dormir mesmo estando acordado...

Viver sem pensar em certo ou errado,

É amar e sentir-se amado!

Fazer poesia é ir sem partir,

É alcançar sem esperar,

Estar certo de nunca desistir...

Sabendo que é preciso somente esperançar!

Fazer poesia não é um mero ‘fazer’...

Mais que isso é sentir real prazer...

É um deixar-se ler e descrever,

É o sonhar antes de ser!

Fazer poesia é sem mentiras falar e nos versos expressar...

Dizer sem ter o que ponderar.

É escrever tudo que pensar e sonhar,

Registrando em palavras as várias formas de amar!

Fazer poesia é saber brincar e o ritmo dar,

E através das palavras os desejos despertar...

Sonhos esquecidos... Relembrar...Retomar...

Fazer poesia é simplesmente ‘Ser’ e deixar-se ‘Poetizar’! (L.M.T)

Luciene Martins Tanaka

Imagem de Lena Sotskova

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Vamos amar a natureza

Manuel Nunez -8

Bati à tua porta!...Não estavas.

Só encontrei o silêncio das nossas mensagens...

Quando chegares vais encontrar um cesto cheio de beijos perfumados,

muitos abracinhos carinhosos e flores, cada uma com uma mensagem de cor.

Podes guardar o cesto... para a próxima vez, vamos fazer um piquenique num bosque encantado...cheio de magia luz e sonhos.

Vamos ouvir as melodias dos passarinhos...árvores em flor que transmitem amor...frutos encarnados que fazem brotar de paixão...

Vamos amar a natureza, ficar com ela no coração...

Gabriela Vitória

Imagem de Manuel Nunez

“Palavras embriagadas...”

ANGELA HARDY-2
As letras passeiam meio tontas
Cambaleando por minhas ruas
Emoções estreitas andam zonzas
... Palavras despudoradamente nuas
.
Sentimentos bordados na poesia
Cujos fios, os versos ornamentam
Despejam sobre as rimas, nostalgia
E cintilam, envolvem, flamejam
.
Escancaram as vidraças da lucidez
Desconhecem o bom senso, a ética
Expõem inda que insone o sentimento
.
E sob o efeito da ilícita embriaguez
Faz escoar toda veracidade poética
Nas sílabas que fazem o momento

Glória Salles

Imagem de ANGELA HARDY

MANTO DE VELUDO

Santiago Carbonell -3

Adormeci neste manto de veludo

Suavizei este sentir com intensidade

Deixei-me pensar

Embalei os sonhos guardados em mim

Sonhos

Ideais

Perfumes que me embriagam

Pétalas de beijos

Utopias reais

Emoções

Acariciei o amor musicado em mim

Senti as melodias das ilusões

Abracei as reais sensações

Caminhei no infinito luar

Infinito

Eterno

Imortal

Um deslizar por entre as mãos

Este doce caminhar

Navegar nas sensações

Dos sonhos que existem para lá do mar

Abri os olhos para observar

A maciez do encanto

O elevado prazer

Suspirei

O manto de veludo escorregou

Adormecemos eu e tu…

Ana Gonçalves

Imagem de Santiago Carbonell

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Viajar nas pinturas de Eduardo Batarda

 

Eduardo Batarda

 

   Eduardo Batarda                                                    

Nasceu em Coimbra em 1943, onde entrou no curso de Medicina em 1960 de que viria a desistir três anos depois. Fez Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (63-68). Estudou no Royal College of Art em Londres entre 1971 e 1974 com uma bolsa da FCG. Esses anos foram determinantes no aprofundamento de uma tendência, assinalável já nas suas primeiras pinturas e sistematicamente presente desde então na sua obra, para pensar a arte, o papel da arte, a história de arte e a teoria de arte na própria pintura.

Fonte

: 

Eduardo Batarda-1

Mãos perfumadas

Brita Seifert-24

Minha boca no teu sorriso…

Brinco…

E sinto os teus gestos…

Nas minhas mãos perfumadas de desejo…

Gabriela Vitória

Imagem de Brita Seifert

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

“Mulher mais adorada”

Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, - que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem - nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura! Quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo!

Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim

Suavizo o meu corpo, Num voo da liberdade Liberto o meu ser…num som de verdade…Gabriela Vitória

Ken Hamilton

Imagem de Ken Hamilton

Na imensidão do teu esplendor...beijo o teu corpo com amor de flores…GV

Brenda Burke-5

Imagem de Brenda Burke

Rio de emoções

Hélène Béland-9

Rio de emoções

Pisei as águas transparentes do rio

Rio que corre e eu nas suas margens banho o meu corpo

Piso as pedras que brilham na corrente

com as minhas mãos pego na areia e desenho o teu corpo…

Chapinho na água como uma criança...

Danço como se tivesse pés de bailarina

e asas de andorinha…

Para ti fiz um colar de pedrinhas

para te dar, minha rainha…

Olho para água, vejo peixes de prata a saltarem de alegria

peixes d’oro a fazerem poesia,

beijaram meu corpo,

fizeram feliz o meu dia…

Gabriela Vitória

Imagem de Hélène Béland

 

Hoje cantarolei o teu nome

Jose Royo - 1

Hoje cantarolei o teu nome

Hoje acordei a cantar o teu nome
Cantarolei o teu corpo na minha voz

Dancei nos teus lábios sem te beijar

Pintei os teus seios sem lhe tocar

Fiz melodias dos teus olhos sem te ver

Beijei a tua alma sem te sentir
E tu sentistes a minha luz como uma guitarra a gemer

Gabriela Vitória

Imagem de Jose Royo